Procuradores querem investigar festas de Daniel Vorcaro no TCU, mas arquivamento é cogitado por falta de provas de recursos públicos

Procuradores querem investigar festas de Daniel Vorcaro no TCU, mas arquivamento é cogitado por falta de provas de recursos públicos

Resumo

Procuradores pedem investigação sobre festas de Daniel Vorcaro no TCU, mas arquivamento é cogitado por falta de provas de recursos públicos

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) solicitou ao TCU uma investigação sobre as festas conhecidas como “Cine Trancoso”, atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O objetivo é apurar a participação de autoridades federais e o eventual uso de recursos públicos nesses eventos.

A representação busca verificar se houve despesas com deslocamento, diárias, estrutura ou apoio institucional, além de possíveis conflitos de interesse. A participação de agentes públicos em encontros privados com empresários do setor financeiro pode representar um “risco sistêmico” à confiança nas instituições, segundo o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado.

No entanto, o caso pode ser arquivado pela 2ª Câmara do TCU. Um parecer preliminar da área técnica da Corte apontou a ausência de indícios concretos de aplicação de verbas federais, critério essencial para a competência do tribunal iniciar uma investigação. A decisão final ficará a cargo dos ministros do TCU, com base no processo TC 003.212/2026-2.

O que são as festas “Cine Trancoso” e quem teria participado

De acordo com reportagens da Folha de S.Paulo, Daniel Vorcaro teria alugado e posteriormente adquirido uma mansão em Trancoso (BA), avaliada em cerca de R$ 300 milhões. O imóvel teria sediado eventos restritos entre 2021 e 2022, com a presença de empresários, figuras do mercado financeiro e autoridades dos Três Poderes.

Os eventos, que não possuem denominação oficial e ganharam o apelido de “Cine Trancoso” por relatos e mensagens, eram marcados por controle rigoroso de acesso, proibição de celulares e circuito interno de câmeras. Há informações sobre festas similares em outras cidades brasileiras e no exterior.

Relatos indicam que as festas contavam com alta gastronomia, bebidas caras e a presença de “acompanhantes”. Mensagens de WhatsApp anexadas a um processo judicial registraram a insatisfação da antiga proprietária do imóvel com o número de convidados e reclamações de vizinhos por som alto.

Argumentos do MPTCU e a posição técnica do TCU

O MPTCU argumenta que a proximidade entre agentes públicos e figuras ligadas ao sistema financeiro, mesmo sem comprovação imediata de uso de dinheiro público, pode gerar instabilidade e desconfiança generalizada. O subprocurador Furtado ressalta que o TCU tem competência constitucional para investigar tais fatos.

Na representação, o MP de Contas solicita a identificação de autoridades públicas presentes, a avaliação de possíveis impactos para a administração pública e a verificação de financiamento público para os eventos. A defesa de Vorcaro, por sua vez, nega os relatos, afirmando que não “correspondem à realidade dos fatos” e que as informações são distorcidas e sensacionalistas.

Pressão por arquivamento e a possibilidade de CPMI no Congresso

Enquanto o MPTCU pede uma apuração ampla, congressionistas já se mobilizariam para forçar o arquivamento da representação no TCU, alguns receosos de aparecerem em listas de presença. O parecer preliminar da área técnica do TCU, contudo, não é definitivo e pode ser revisto pelos ministros.

O caso também reacendeu no Congresso Nacional a pressão da oposição pela instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master. Parlamentares consideram que o contexto das festas, associado a investigações financeiras, amplia a necessidade de apuração política.

Apesar de a área técnica do TCU apontar ausência de provas formais de uso de recursos públicos, parlamentares como Kim Kataguiri (União-SP) argumentam que o caso não estará encerrado, mesmo com um eventual arquivamento pelo tribunal. A Polícia Federal retomou integralmente as apurações após tentativas de interferência, e a possibilidade de uma CPMI ganha força, visando investigar as relações entre agentes públicos e interesses privados.

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