Saída de Ratinho Junior da disputa presidencial mexe com o tabuleiro político e pressiona o PSD, que busca definir seu rumo entre diferentes espectros ideológicos.
A decisão do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), de desistir da corrida presidencial em 2026 alterou significativamente o cenário político nacional. O movimento força o partido a reavaliar suas estratégias e a escolher entre dois perfis distintos de candidatos, impactando diretamente o debate sobre a chamada “terceira via” e o equilíbrio entre as forças políticas.
Anteriormente, o PSD contava com três nomes de peso para uma possível candidatura presidencial. Com a retirada de Ratinho Júnior, o partido agora precisa focar em dois governadores com apelos claros e distintos: Ronaldo Caiado, do Goiás, com uma plataforma mais voltada para a direita, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, que se posiciona mais ao centro-esquerda.
Essa reconfiguração, interpretada por especialistas como um movimento estratégico de Ratinho Júnior para preservar seu legado e evitar isolamento político no Paraná, conforme apurado por cientistas políticos como Letícia Mendes e Samuel Oliveira, coloca Ronaldo Caiado em uma posição de maior destaque dentro da sigla. A informação é baseada em análises divulgadas por fontes especializadas.
Ratinho Júnior prioriza o Paraná e preserva capital político local
A decisão de Ratinho Júnior de não concorrer à presidência foi vista como um movimento calculado para resguardar seu capital político no Paraná. A cientista política Letícia Mendes aponta que a desistência visa “manter o legado dentro do Paraná e compor as forças políticas”, especialmente diante de um cenário de apoio instável da família Bolsonaro no estado e da filiação de Sergio Moro ao PL, que acirra a disputa pela sucessão local.
Samuel Oliveira reforça essa análise, indicando que Ratinho Júnior optou por “preservar o seu poder real e local, do que entrar numa aventura nacional para Presidência”. Essa escolha sugere que o projeto presidencial ainda não estava maduro o suficiente para justificar o risco de perder o controle de sua base política.
Além disso, Ratinho Júnior recusou convites para compor uma chapa como vice de Flávio Bolsonaro e para disputar uma vaga ao Senado, priorizando a conclusão de seu mandato como governador e a consolidação de sua base política no estado. Isso demonstra uma clara estratégia de fortificação regional.
Caiado se fortalece internamente, mas enfrenta desafios para atrair eleitores bolsonaristas
Com a saída de Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado emerge como o principal nome do PSD na disputa presidencial, segundo o cientista político Samuel Oliveira. Sua força reside na conexão com o agronegócio e com o interior do país, especialmente no Centro-Oeste, áreas onde pode explorar tensões existentes.
No entanto, Caiado pode enfrentar dificuldades em atrair o eleitorado mais fiel a Bolsonaro, correndo o risco de sofrer um isolamento similar ao de João Doria em 2022, que se distanciou da família Bolsonaro e não conseguiu viabilizar sua candidatura. A avaliação é que ele pode não ser visto como um nome “suficientemente raiz” por esses eleitores.
Ainda assim, Caiado tem potencial para ocupar o espaço da direita mais tradicional, disputando a preferência eleitoral com Flávio Bolsonaro. Sua capacidade de transitar entre o discurso de segurança pública e a responsabilidade fiscal pode ser um diferencial.
Eduardo Leite mantém candidatura de centro, mas com baixa performance em pesquisas
Eduardo Leite permanece como a opção do PSD para um candidato de centro, perfil considerado mais palatável para eleitores moderados e para um eventual segundo turno. Contudo, sua pré-candidatura enfrenta desafios para ganhar tração nacional.
Uma pesquisa Quaest de março revelou que Eduardo Leite obteve apenas 3% das intenções de voto, ficando atrás de Ratinho Júnior (7%) e Ronaldo Caiado (4%). Esse cenário indica uma menor competitividade e a dificuldade em mobilizar eleitores em âmbito nacional neste momento.
Apesar dos números, Leite continua a defender uma agenda de responsabilidade fiscal e reconstrução administrativa, buscando se posicionar como uma alternativa viável em um cenário político polarizado.
PSD aposta em candidatura própria como estratégia de negociação
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, reafirmou que o partido terá candidato próprio em 2026, apresentando uma “melhor via” alternativa à polarização. Nos bastidores, no entanto, a estratégia pode ser mais pragmática, funcionando como um instrumento de valorização do partido e ampliação do poder de barganha para negociações futuras.
A candidatura própria pode ser menos um objetivo final e mais um “instrumento de negociação”, conforme aponta Samuel Oliveira. Em um cenário eleitoral ainda projetado como polarizado entre Lula e Flávio Bolsonaro, o candidato do PSD pode atuar como uma peça intermediária, buscando capturar o eleitorado de centro e centro-direita no primeiro turno.