Rogério Marinho busca STF para investigar vazamento de mensagens sigilosas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL), acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar uma investigação sobre o vazamento de conversas privadas entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, empresário dono do Banco Master.
Marinho argumenta que a divulgação dessas mensagens, que deveriam estar protegidas por sigilo judicial, configura um ato de ‘vazamento seletivo’. Segundo o senador, essa prática tem o potencial de gerar danos políticos e de imagem significativos, especialmente em um período eleitoral de alta visibilidade.
O pedido foi formalizado ao ministro André Mendonça, que é o relator do caso Master no STF. A situação ganhou destaque após o site The Intercept Brasil revelar que Flávio Bolsonaro teria negociado um patrocínio de R$ 134 milhões com Vorcaro para um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro confirma contato e nega irregularidades
Em resposta às acusações, Flávio Bolsonaro confirmou ter feito o pedido de patrocínio, mas negou veementemente qualquer tipo de irregularidade em suas ações. O Intercept divulgou uma série de mensagens que supostamente foram trocadas entre o senador e o banqueiro, detalhando as negociações.
Uma das mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro, datada de 16 de novembro de 2025, diz: ‘Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!’. No dia seguinte à suposta troca de mensagens, Daniel Vorcaro foi detido pela Polícia Federal enquanto tentava deixar o país.
Senador aponta crimes e pede apuração rigorosa
Rogério Marinho sustenta que a divulgação das conversas pode configurar crimes como violação de sigilo funcional e embaraço à investigação criminal. Em sua representação ao STF, o senador solicitou a identificação de todas as autoridades, servidores e peritos que tiveram acesso aos documentos sigilosos, buscando a origem do vazamento.
O senador enfatizou que seu pedido ao STF ‘não tem por finalidade censurar veículo jornalístico, constranger atividade jornalística legítima ou impedir a divulgação de fatos de interesse público’. Ele ressalta que a liberdade de imprensa não isenta o Estado do dever de investigar a origem de vazamentos de documentos sigilosos.
Marinho declarou que a liberdade de imprensa ‘não elimina o dever estatal de apurar a origem de vazamentos de autos sigilosos, especialmente quando há indícios de divulgação seletiva de elementos sensíveis e potencialmente descontextualizados’. Ele busca garantir que a investigação seja imparcial e livre de direcionamentos.
Pedido de providências ao ministro relator
Em entrevista à CNN Brasil, Rogério Marinho confirmou ter conversado com o ministro André Mendonça sobre o caso. Ele relatou ter pedido ao ministro relator que ‘observasse essa situação’, expressando o desejo por esclarecimentos e investigações, mas sem ‘seletividade e direcionamento’.
O senador busca assegurar que qualquer divulgação de informações sigilosas seja feita de forma ética e legal, protegendo a integridade das investigações e o devido processo legal. A solicitação visa apurar responsabilidades e evitar a repetição de vazamentos que possam comprometer a justiça.