Rui Costa culpa juros altos, compras online e apostas digitais pelo endividamento familiar, alertando para impacto nas eleições de 2026.
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, destacou o alto endividamento das famílias brasileiras como uma das principais preocupações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para as eleições de 2026. Ele atribuiu o cenário a um conjunto de fatores negativos que afetam o poder de compra da população.
Segundo Costa, mesmo com uma massa salarial histórica, os brasileiros sentem a perda de rendimento, o que impacta diretamente o humor do eleitorado. O ministro enfatizou que o cenário econômico atual é resultado de um “combo” de pressões sobre o orçamento doméstico.
Para combater esse problema, Rui Costa defende um reforço na regulamentação das apostas digitais, as chamadas “bets”, com medidas mais restritivas. Ele citou relatos de empresas onde funcionários perdem produtividade e comprometem a renda familiar devido ao vício em jogos.
Impacto eleitoral e crítica à oposição
Rui Costa avalia que o endividamento será um tema central na campanha eleitoral e que o principal opositor de Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), terá que apresentar resultados concretos. O ministro criticou a gestão anterior, chamando-a de “desastre completo na economia, na inflação, na taxa de juros e no desemprego”.
O ministro também minimizou a ascensão de Ronaldo Caiado (PSD) como uma “terceira via”, afirmando que a estratégia da campanha lulista será contrastar o Brasil da era Bolsonaro com o momento atual. A ideia é mostrar a evolução e os avanços conquistados.
Juros do cartão de crédito sob escrutínio
A discussão sobre o endividamento também ganhou força com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), que apontou os juros como o principal vilão. Lula solicitou estudos ao Banco Central e ao Ministério da Fazenda para avaliar a possibilidade de limites ou redução nas taxas do crédito rotativo do cartão.
O crédito rotativo do cartão de crédito atingiu impressionantes 435,9% ao ano em fevereiro, afetando cerca de 40 milhões de usuários. Gleisi Hoffmann comparou a situação com o cheque especial, defendendo a criação de mecanismos de controle semelhantes para proteger o consumidor.
Endividamento atinge recorde histórico
Dados recentes do Banco Central revelam que o comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou a 29,3%, o maior nível desde 2011. Esse aumento é impulsionado principalmente pelo uso de crédito emergencial, com destaque para o rotativo do cartão, considerado o mais caro do mercado.
O governo busca medidas para aliviar a pressão sobre as finanças familiares, entendendo que o endividamento da população tem impacto direto na popularidade e na percepção de bem-estar econômico do país.