Jovem promessa do wrestling iraniano, Saleh Mohammadi, foi executado em janeiro após ser torturado e condenado à morte em um processo criticado por organizações de direitos humanos.
Saleh Mohammadi, de apenas 19 anos, era considerado uma das grandes esperanças do wrestling iraniano, esporte de grande prestígio no país. Sua carreira esportiva era vista como um caminho para um futuro longe das complexidades políticas que moldaram sua geração.
No entanto, o sonho do jovem atleta foi brutalmente interrompido em janeiro, durante a intensa repressão do regime islâmico aos protestos que varreram o Irã. Mohammadi foi executado por enforcamento na cidade de Qom, após um julgamento considerado viciado por entidades de direitos humanos.
A execução de Saleh Mohammadi não foi um caso isolado. Outros dois jovens, Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi, também foram executados sob acusações semelhantes. As autoridades iranianas alegaram que os três teriam participado da morte de policiais durante os protestos, sendo condenados pelo crime de “moharabeh”, um termo islâmico usado para acusar opositores de “travar guerra contra Deus”. Conforme informações divulgadas por grupos internacionais de direitos humanos, o processo contra Mohammadi foi conduzido de forma apressada e sem as devidas garantias legais.
Tortura e Confissões Forçadas, Denúncias da Anistia Internacional
A Anistia Internacional denunciou em fevereiro que o jovem atleta foi submetido a torturas para que confessasse os crimes. Relatos indicam que o próprio Mohammadi teria negado as acusações em tribunal, afirmando não ter participado dos protestos e detalhando agressões sofridas durante a detenção, incluindo fraturas decorrentes de espancamentos.
Amigos e professores descreveram Saleh Mohammadi à mídia internacional como um atleta “disciplinado e dedicado”, sem qualquer histórico de violência. Em 2024, ele conquistou uma medalha de bronze em um torneio internacional juvenil na Rússia, e mantinha em suas redes sociais registros de treinos e competições, com mensagens inspiradoras.
Execuções como Ferramenta de Intimidação pelo Regime
A morte do atleta ocorreu em um contexto de intensificação da repressão interna no Irã, agravada por tensões geopolíticas. Organizações de direitos humanos apontam que mais de 50 mil pessoas foram presas desde o início das manifestações.
A organização Iran Human Rights afirma que o regime iraniano tem utilizado execuções públicas como estratégia para intimidar a população e dissuadir novos protestos. Segundo a entidade, pelo menos 27 detidos nas manifestações de dezembro e janeiro já foram condenados à morte, e mais de cem respondem a processos com potencial para levar à execução.
Julgamentos Simulados e Assassinato Sancionado pelo Estado
O Center for Human Rights in Iran (CHRI) classificou a execução dos jovens como um “assassinato sancionado pelo Estado”, realizado após “julgamentos simulados baseados em tortura e confissões forçadas”. A intenção seria aterrorizar a população e enviar uma mensagem clara de que qualquer dissidência será punida com a morte.
Relatórios recentes indicam um aumento significativo no número de execuções no Irã nos últimos dois anos. A Iran Human Rights registrou mais de 1,5 mil execuções somente em 2025, quase o dobro do ano anterior.
Governo Usa Execuções Para Manter o Poder
Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da Iran Human Rights, acredita que as execuções, incluindo a de Saleh Mohammadi, visam intimidar a população em um momento de fragilidade do regime. Ele ressalta que a principal ameaça à sobrevivência do governo vem do próprio povo iraniano, que anseia por mudanças fundamentais.
Desde o início dos ataques militares entre EUA e Israel, as autoridades iranianas intensificaram prisões, restringiram o acesso à internet e aceleraram julgamentos contra manifestantes, alegando a necessidade de “preservar a segurança nacional”. Apenas em março, a agência Reuters reportou mais de mil detenções, muitas ligadas a publicações online ou participação em protestos.