STF sob Fogo Cruzado: Reunião Sigilosa Vaza e Ministros Suspeitam de Gravação Interna
Um vazamento inédito de uma reunião a portas fechadas no Supremo Tribunal Federal (STF) abalou os bastidores da Corte. O site Poder 360 divulgou frases exatas ditas por ministros durante o encontro, que selou a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master. A precisão das citações levantou a suspeita entre os magistrados de que a reunião possa ter sido gravada, com os olhares se voltando para o próprio Toffoli.
Segundo a Folha de S.Paulo, a reunião teria tido um tom altamente político, focado na “autopreservação” dos ministros. O placar inicial indicava 8 a 2 a favor de manter Toffoli na relatoria, mas ele teria aceitado ceder em troca de uma nota de apoio unânime. Essa sugestão teria partido de Flávio Dino, ministro com quem Toffoli tem uma relação de longa data.
A versão de um “acordo corporativista” ganhou força com as declarações de Toffoli ao deixar o tribunal, afirmando que tudo foi “unânime” e transcorreu em clima “excelente”. A insatisfação com a atuação da Polícia Federal também foi um ponto de destaque nas conversas, conforme noticiado pelo Poder 360.
O Impasse e a Solução Proposta por Dino
A tensão começou a se manifestar em uma reunião preliminar com menos ministros. Nela, Moraes e Gilmar Mendes teriam se posicionado a favor de Toffoli, enquanto Carmen Lúcia e Edson Fachin teriam se oposto, criando um impasse. O caso seria decidido em plenário no dia seguinte, mas a intervenção de Flávio Dino mudou o curso dos acontecimentos.
Trechos divulgados pelo Poder 360 revelam a profundidade do debate. Gilmar Mendes, por exemplo, teria dito: “Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar”.
Carmen Lúcia expressou preocupação com a imagem do STF, afirmando que “todo taxista com quem conversa fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”. Ela ressaltou a importância de “pensar na institucionalidade”, mesmo confiando em Toffoli.
Suspeitas de Gravação e Negativa de Toffoli
Luiz Fux, por sua vez, declarou apoio incondicional a Toffoli: “O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo”. Flávio Dino teria classificado as provas da PF como “lixo jurídico”.
Diante da reprodução fiel de diversas falas favoráveis a Toffoli, a hipótese de que ele teria gravado a reunião ganhou força, configurando uma grave “quebra de confiança” entre os colegas. O ministro negou veementemente ter gravado ou relatado qualquer coisa, sugerindo que a gravação poderia ter partido de um funcionário da área de informática.
Apesar das negações, os ministros concordaram que, para preservar a “institucionalidade” da Corte, o melhor seria afastar Toffoli da relatoria do caso Master. A solução proposta por Dino foi acatada, e a relatoria agora será sorteada, tendo André Mendonça como o novo responsável pelo caso.
Repercussão e o Futuro da Confiança no STF
O episódio levanta sérias questões sobre a confiança e a segurança das comunicações dentro do STF. A divulgação de conversas sigilosas em jornais de grande circulação expõe fragilidades nos protocolos de segurança e pode gerar um clima de desconfiança entre os próprios ministros.
A busca por respostas sobre quem realizou a suposta gravação e como o conteúdo vazou se intensifica. A Corte, que já lida com diversas pressões externas, enfrenta agora um desafio interno que pode abalar a sua imagem e a relação entre seus membros. A Gazeta do Povo entrou em contato com a assessoria de comunicação do STF e aguarda um posicionamento oficial.