Ligga Telecom é vendida para Brasil TecPar em acordo de R$ 1,77 bilhão, com Nelson Tanure cedendo controle sob pressão financeira.
A Ligga Telecom, controlada pelo empresário Nelson Tanure, anunciou a venda de sua principal operação, a de banda larga por fibra ótica, para a Brasil TecPar. O acordo, no valor total de R$ 1,775 bilhão, inclui a assunção de uma dívida líquida estimada em R$ 1,28 bilhão pela compradora.
A operação de venda de banda larga por fibra ótica foi acordada em R$ 495 milhões, somados à dívida assumida. Este movimento ocorre após a Ligga Telecom já ter negociado sua operação de 5G para a Unifique Telecomunicações no início do ano, por R$ 20 milhões.
A venda da Ligga Telecom, que substituiu a antiga Copel Telecom, surge em um cenário de pressão de credores devido ao vencimento de dívidas. Conforme informações divulgadas, Nelson Tanure teria utilizado ações da Ligga, Light e Aliança Saúde como garantias. Recentemente, credores executaram as ações da Light e Aliança, mas as da Ligga permaneceram como dívida ativa da empresa, intensificando a necessidade da venda.
Brasil TecPar se fortalece no mercado de banda larga
Com a aquisição da operação de fibra ótica da Ligga, a Brasil TecPar expande sua base de clientes em aproximadamente 344 mil, englobando usuários residenciais, comerciais e órgãos públicos. Fundada em 1995 no Rio Grande do Sul, a Brasil TecPar tem crescido por meio de aquisições estratégicas.
Ao incorporar a carteira da Ligga, a Brasil TecPar se consolida como a **quarta maior operadora de telecomunicações de banda larga fixa do Brasil**. A empresa alcança um total de 1,689 milhão de acessos, ficando atrás apenas de gigantes como Claro, Vivo e Oi (atual Nio).
A conclusão deste negócio ainda depende da aprovação de órgãos reguladores, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Anatel, além do cumprimento das condições usuais para operações deste porte.
Contestações e investigações cercam a negociação
A venda da Ligga Telecom não ocorreu sem controvérsias. O sócio minoritário da operadora, Agnaldo Bastos Lopes, contestou o negócio, alegando falta de informações adequadas sobre as negociações e criticando a gestão de Nelson Tanure, que ele descreveu como uma “condução desastrosa”.
Adicionalmente, Nelson Tanure tem sido alvo de investigações. Em janeiro deste ano, ele foi mencionado na Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que apura um esquema de fraudes contábeis e financeiras envolvendo o Banco Master. Investigações apontam ligações do empresário com Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, o que Tanure nega, afirmando que suas relações com a instituição foram apenas como cliente.
Reportagens anteriores já haviam indicado que recursos do caixa da Ligga foram utilizados para aplicações em cédulas de crédito bancário (CCBs) do Banco Master, levantando questões sobre a gestão financeira da operadora.
Histórico da Ligga Telecom e a transição para a Brasil TecPar
A Ligga Telecom, anteriormente Copel Telecom, foi adquirida por Nelson Tanure em novembro de 2020, por R$ 2,4 bilhões. Na época, o empresário levantou capital com fundos como Farallon, Prisma, BTG e Santander, utilizando as próprias ações da Ligga como garantia.
A venda da operação de banda larga por fibra ótica para a Brasil TecPar representa um desinvestimento significativo para Tanure, que busca reestruturar suas finanças diante das pressões credoras. A Brasil TecPar, por sua vez, reforça sua posição no mercado, impulsionada por esta aquisição estratégica.