A busca pela existência de Deus: como a filosofia de Santo Tomás de Aquino ilumina o caminho da fé com a Teologia Natural.
A inteligência humana, munida das ferramentas da filosofia, pode, segundo Santo Tomás de Aquino, apreender verdades fundamentais sobre a existência de Deus. As “coisas invisíveis de Deus são vistas pelo conhecimento que temos das coisas criadas”, como nos lembra São Paulo em Romanos 1, 20. Essa percepção é a base da Teologia Natural, que busca demonstrar a existência divina não apenas pela fé, mas também pela razão, observando o mundo sensível.
O ponto de partida é uma constatação inegável: a **mudança**. Tudo ao nosso redor está em constante transformação. Este caderno, por exemplo, deixou de ser apenas um conjunto de folhas em potencial para se tornar um objeto escrito. Essa passagem do “poder ser” para o “ser” é o cerne da questão filosófica.
Mas de onde vem essa mudança? Qual a causa primeira para que algo que era apenas potencial se torne real? Conforme explica o artigo baseado em Santo Tomás de Aquino, o caderno, por si só, não é autossuficiente para essa transformação. Ele não possuía em si a perfeição de estar escrito, nem a capacidade de se escrever. A mudança implica a recepção de algo que já existe em ato, uma perfeição que o objeto em potência não detinha.
Essas reflexões iniciais já nos conduzem a duas das famosas “vias” propostas por Santo Tomás de Aquino para provar a existência de Deus. A primeira via, o argumento da mudança, e a terceira via, que aborda a contingência e a necessidade, se entrelaçam ao analisar a natureza do ser e da mudança no universo. Conforme divulgada a análise, a inteligência humana, ao observar o mundo, depara-se com a necessidade de uma causa para toda essa dinâmica. Conforme a fonte, “as coisas invisíveis de Deus são vistas pelo conhecimento que temos das coisas criadas”.
A Primeira Via: O Movimento e a Causa Eficiente
A observação de que “há mudança” é o ponto de partida para a Primeira Via de Santo Tomás. Tudo que muda, passa de um estado de potência para um estado de ato. No entanto, para que essa mudança ocorra, é preciso algo que já esteja em ato e que comunique essa atualização. Um objeto em potência não pode gerar a si mesmo; ele precisa de uma causa externa. Se toda coisa que muda precisa de uma causa que a coloque em ato, e essa causa também pode mudar, teríamos uma regressão infinita de causas. Para evitar isso, Santo Tomás postula a existência de um **Primeiro Motor Imóvel**, um ser que põe em movimento sem ser movido, que é ato puro.
A Terceira Via: A Contingência e a Necessidade
Complementarmente, a Terceira Via aborda a **contingência** dos seres no universo. Todas as coisas que existem, incluindo nós mesmos, são contingentes, ou seja, poderiam não existir. Sua existência depende de outra coisa que as faça existir. Se tudo fosse contingente, haveria um ponto em que nada existiria, o que é um absurdo, pois o nada não pode gerar o ser. Portanto, deve haver um ser **necessário**, que existe por si mesmo e não depende de nenhum outro para existir. Este ser necessário é a causa da existência de todos os seres contingentes.
Unindo as Vias: A Necessidade de um Ser Subsistente
Ao unir as reflexões da Primeira e da Terceira Via, Santo Tomás de Aquino chega à conclusão de que deve existir um **Ser Subsistente**, que é o próprio Ser em sua plenitude, o **Ato Puro**. Este ser não possui potência passiva, pois já é perfeitamente o que é. Ele é a causa de toda mudança e de toda existência contingente no universo. Todas as perfeições encontradas nas criaturas, como a bondade e a inteligência, são participações dessa Bondade e Inteligência supremas.
Deus como a Fonte de Todo Ser
Para Santo Tomás, a existência desse Ser Subsistente, que é a causa de tudo que é e de toda mudança, é o que chamamos de Deus. A inteligência humana, ao contemplar a ordem, a beleza e a finalidade do universo, percebe que tudo aponta para uma Causa Primeira, um Ser cuja natureza é o próprio existir. Essa demonstração, baseada na razão e na observação do mundo criado, fortalece a fé e nos convida a reconhecer em Deus a origem de tudo. Conforme o artigo, “o ser potencial não é nada e, sendo nada, não pode causar nada”, o que reforça a ideia de uma causa primeira que é Ser em ato.