Unilance: Mais de 7 anos de espera para 37 mil investidores recuperarem milhões perdidos em consórcios liquidados pelo BC

Unilance: Mais de 7 anos de espera para 37 mil investidores recuperarem milhões perdidos em consórcios liquidados pelo BC

Resumo

Unilance: A saga de 37 mil consorciados esperando o fim de um pesadelo judicial que já dura mais de sete anos.

A sequência de liquidações de instituições financeiras pelo Banco Central (BC) tem sido notícia frequente. No entanto, para dezenas de milhares de investidores, a espera por valores aplicados na administradora de consórcios Unilance se arrasta há mais de sete anos.

Em outubro de 2018, a Unilance foi liquidada pelo BC, deixando para trás uma dívida em discussão na Justiça. As estimativas sobre o valor devido variam significativamente, mas há projeções que indicam uma quantia superior a R$ 300 milhões, considerando a inflação acumulada.

O número de credores também é incerto, mas a estimativa mais recente aponta para mais de 37,7 mil consorciados que podem ter perdido todo o dinheiro desembolsado em parcelas de cartas de crédito administradas pela empresa. Conforme informações divulgadas em processos judiciais e reportagens, não há previsão para o ressarcimento dos valores, e o quadro geral de credores ainda não é definitivo.

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a Unilance: Uma proteção inexistente para consorciados.

Diferentemente do que ocorre em casos de liquidação de bancos, onde o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) oferece proteção aos depositantes, as cartas de crédito de consórcios não são cobertas pelo FGC. Isso significa que, para reaver parte do dinheiro, os consorciados da Unilance dependem exclusivamente do rateio judicial do patrimônio da empresa.

O processo de falência da Unilance, que tramita na Justiça desde 2019, já acumula mais de 69 mil movimentações. A complexidade e a demora se devem à vasta quantidade de credores e à necessidade de apuração e venda dos ativos da empresa para, então, tentar ressarcir os envolvidos.

Unilance: Uma trajetória de 27 anos interrompida por insolvência e irregularidades.

Fundada em Curitiba em 1991, a Unilance atuou por quase três décadas como uma administradora de consórcios, oferecendo uma alternativa para a aquisição planejada de bens, como imóveis e veículos. A empresa chegou a expandir suas operações para diversas cidades do país.

No entanto, em 2018, o Banco Central, sob a presidência de Ilan Goldfajn na época, decretou a liquidação extrajudicial da Unilance. A justificativa apresentada pelo órgão regulador foi um quadro de insolvência patrimonial e a violação de normas legais, encerrando abruptamente as atividades da empresa.

O liquidante nomeado pelo BC, Gilmar José Bocalon, ao assumir a administração, constatou um desequilíbrio patrimonial expressivo. Segundo seu relatório, os bens e direitos da empresa somavam apenas R$ 11,2 milhões, o que correspondia a cerca de 11,8% de suas obrigações totais, estimadas em quase R$ 95 milhões. Isso resultou em um passivo de R$ 83,7 milhões sem garantia.

Tentativas de transferir os grupos de consórcio para outras administradoras foram realizadas, mas nenhuma empresa demonstrou interesse em assumir os produtos, evidenciando a gravidade da situação financeira da Unilance.

Bens dos sócios confiscados em busca de ressarcimento, mas condenação criminal ainda é incerta.

A decretação da falência da Unilance ocorreu em março de 2019. A juíza Mariana Gusso, da 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba, apontou discrepâncias entre os valores registrados nas contas da empresa e o saldo real das aplicações, indicando uma diferença de R$ 63,9 milhões. Essa inconsistência levantou suspeitas de simulação de solvência.

Em abril de 2019, a pedido do administrador judicial e com parecer favorável do Ministério Público, a juíza determinou o bloqueio preventivo de bens pessoais dos sócios da empresa, Sidney Marlon de Paula e Nadir Jesus de Paula, além de outros envolvidos e empresas ligadas ao grupo econômico. A medida visava evitar a ocultação de patrimônio e preservar recursos para futura responsabilização civil.

Na época da intervenção, a estimativa era de que cerca de 15 mil pessoas tivessem valores investidos, totalizando R$ 95 milhões em compromissos. Contudo, a lista de credores divulgada posteriormente revelou 37.726 nomes, com um valor total a receber de R$ 173,2 milhões. A dívida total, corrigida pela inflação, pode ultrapassar os R$ 300 milhões.

Apesar do bloqueio de bens, não houve condenação criminal dos sócios até o momento. O processo judicial segue em andamento, com a complexa tarefa de localizar, avaliar e vender os ativos da massa falida para, eventualmente, ressarcir os credores, respeitando a ordem de prioridade legal estabelecida na Lei de Falências.

Contestação do processo de liquidação e a longa espera por justiça para os consorciados.

Representantes da Unilance contestam na Justiça o processo de liquidação conduzido pelo Banco Central. Segundo o advogado Carlos Alberto Farracha de Castro, que representa o ex-sócio Sidney Marlon de Paula, o saldo patrimonial da Unilance na época da liquidação não seria negativo, mas sim positivo em R$ 44,5 milhões, conforme demonstrado por uma equipe contábil especializada.

O advogado alega que o relatório do liquidante apresentou inconsistências e que o sócio administrador não teve a oportunidade de acompanhar os trabalhos de forma adequada. Em 2020, uma ação foi movida contra o Banco Central e o liquidante pedindo acesso a documentos contábeis para revisar o processo de liquidação, mas foi extinta sem análise do mérito.

Uma nova petição foi apresentada em novembro de 2025 no próprio processo de falência com o mesmo objetivo. Enquanto isso, os ex-consorciados da Unilance continuam em uma longa espera, com a esperança de que a Justiça consiga, enfim, resolver o impasse e permitir o ressarcimento dos valores investidos, um drama que se arrasta há mais de sete anos.

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