Valdemar Costa Neto elogia Jorge Messias para o STF e detalha chateação com Alexandre de Moraes após prisão
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, expressou elogios à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar de reconhecer que Messias é um nome alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Valdemar o descreveu como um “camarada de bem”, comparando a situação à nomeação de Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula.
Valdemar destacou que, mesmo com a oposição interna do PL, a aprovação de Messias no Senado é provável devido à maioria governista. Ele afirmou que “não têm o que falar do Messias”, indicando que o nome é considerado um dos melhores disponíveis no momento para a Corte, conforme relatado pelo portal Metrópoles.
Em contrapartida, o dirigente criticou o que percebe como um fortalecimento do poder do ministro Alexandre de Moraes durante o governo de Jair Bolsonaro. Valdemar acredita que Bolsonaro contribuiu para o crescimento da influência de Moraes ao ceder em momentos cruciais, como a entrega de gravações de reuniões ministeriais e a desistência da nomeação de Alexandre Ramagem para a Polícia Federal.
Relação estremecida com Alexandre de Moraes
Valdemar Costa Neto revelou que sua relação com o ministro Alexandre de Moraes, antes cordial, se deteriorou após sua prisão em fevereiro de 2024. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Tempus Veritatis, que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado. Na ocasião, a Polícia Federal encontrou uma arma com registro vencido na residência de Valdemar, levando à sua prisão em flagrante.
O ministro Alexandre de Moraes converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva no dia seguinte. Valdemar foi liberado dias depois, mediante a aplicação de medidas cautelares. Ele confessou ter ficado “chateado” com a situação, mas evitou confrontar diretamente Moraes ou o Supremo Tribunal Federal para não gerar mais problemas para o seu partido.
Críticas ao governo Bolsonaro e o poder de Alexandre de Moraes
O presidente do PL criticou duramente a postura do ex-presidente Jair Bolsonaro em relação a Alexandre de Moraes. Segundo Valdemar, Bolsonaro “deu força para o Alexandre crescer” ao recuar em decisões importantes, como a nomeação de Ramagem para a chefia da PF, diante da objeção do ministro do STF. Essa cedência, na visão de Valdemar, contribuiu para o aumento do poder de Moraes.
Valdemar também mencionou ter uma boa relação com outros ministros do STF, citando Gilmar Mendes e Edson Fachin, por quem demonstra respeito. No entanto, a proximidade com Alexandre de Moraes foi completamente rompida. Ele comentou que antes se dava bem com Moraes por ambos serem de São Paulo, mas a prisão mudou essa dinâmica.
Oposição do PL à indicação de Messias e a realidade no Senado
Apesar de elogiar Jorge Messias, Valdemar Costa Neto reconheceu que a maioria dos parlamentares do PL é contrária à sua indicação para o STF. Contudo, ele ressaltou que essa oposição é inócua, dado que o governo possui a maioria necessária para aprovar a nomeação no Senado Federal.
“Nosso pessoal [do PL] é contra, mas não adianta ser contra, porque eles têm maioria no Senado. Não tenho o que falar do Messias. Não estou defendendo o Messias, não”, declarou Valdemar, demonstrando pragmatismo diante do cenário político.
Valdemar reitera respeito ao STF, mas lamenta prisão
O líder do PL reafirmou seu respeito pelas instituições, incluindo o Supremo Tribunal Federal. Ele destacou a importância de evitar atritos desnecessários com o Judiciário para não prejudicar os membros do seu partido que enfrentam processos. A prisão, mesmo que temporária e com medidas cautelares, deixou uma marca de descontentamento.
“Essas coisas não me assustam, mas fiquei chateado. Não ataco ele [Moraes], evito falar do Supremo para não arrumar problema para o nosso pessoal”, concluiu Valdemar, evidenciando a complexidade de suas relações com o Judiciário e a política brasileira.