Esquerda Acusa EUA de Imperialismo, Mas Ignora Interesses Ocultos em Ditaduras Aliadas: A Venezuela em Foco

Esquerda Acusa EUA de Imperialismo, Mas Ignora Interesses Ocultos em Ditaduras Aliadas: A Venezuela em Foco

Resumo

A Venezuela sob o jugo de interesses: Desvendando a hipocrisia da esquerda em defender ditaduras aliadas.

A análise de interesses, um conceito fundamental em psicologia, economia e ciência política, revela a complexidade das ações humanas e institucionais. Longe de ser um desvio ético, o interesse é o motor que impulsiona escolhas, persistência e a busca por significado, segurança e agência.

Na esfera econômica, o autointeresse, desde Adam Smith, é visto como a base da racionalidade que, sob regras claras, pode gerar cooperação e prosperidade. O problema surge quando elites predatórias capturam esses interesses, distanciando-os do controle social.

Em política, interesses moldam grupos, coalizões e Estados. Democracias prosperam na competição e equilíbrio de interesses, enquanto ditaduras se sustentam pela concentração e proteção mútua de interesses contra a sociedade. A geopolítica, por sua vez, explicita os interesses nacionais em segurança, recursos estratégicos e projeção de poder, tornando a surpresa diante disso uma forma de desonestidade intelectual. Conforme aponta Zizi Martins, advogada e pós-doutora em Política, Comportamento e Mídia, “Não existe desinteresse em política. O que existe é interesse ideológico travestido de virtude moral. Defender ditaduras aliadas enquanto acusa democracias de imperialismo não é ética. É cinismo”.

A farsa da esquerda e os interesses ocultos na Venezuela

A narrativa de que os Estados Unidos agem “apenas por petróleo” na Venezuela é uma simplificação infantil da geopolítica. A realidade, segundo Zizi Martins, é que atores internacionais, especialmente os alinhados à esquerda, não operam por altruísmo ideológico, mas por uma convergência objetiva de interesses externos, estatais e criminosos.

A ditadura chavista na Venezuela, por exemplo, não se sustentou apenas por ideias, mas pela funcionalidade do país para projetos estratégicos de China, Rússia e Irã. Esses países encontraram na Venezuela um território propício para seus objetivos financeiros, militares e logísticos, incompatíveis com a democracia e os interesses da população venezuelana.

China, Rússia e Irã: Os sustentáculos da ditadura venezuelana

A China investiu pesadamente na Venezuela, com até US$ 70 bilhões em acordos de “petróleo por dinheiro”, garantindo acesso preferencial a óleo pesado com desconto e influência na América Latina. A Rússia, por sua vez, utilizou Caracas como vitrine antiamericana, vendendo armamentos e ensaiando presença militar, enquanto o Irã transformou o território venezuelano em um hub para evasão de sanções e cooperação militar, incluindo o financiamento de redes terroristas como o Hezbollah.

A atuação do crime organizado, com cartéis e redes de tráfico de drogas e mineração ilegal, formou uma governança criminal híbrida, fundindo Estado, armas e ilícitos. O resultado dessa simbiose foi o colapso do país, com hiperinflação, fome e uma diáspora de cerca de 7,7 milhões de pessoas, um quinto da população.

Os interesses dos Estados Unidos na Venezuela e a reação global

A ação dos Estados Unidos na Venezuela, descrita por Zizi Martins como um “movimento geopolítico clássico”, visa desmontar um nó de interesses autoritários, criminosos e hostis. Os interesses americanos incluem segurança hemisférica, combate ao narcoterrorismo, contenção de potências rivais e acesso a recursos estratégicos. Reduzir essa complexidade a “ganância por petróleo” é, nas palavras de Martins, “infantilizar deliberadamente a análise”.

As reações internacionais revelaram interesses distintos. A Coreia do Norte condenou a ação americana, enquanto Emmanuel Macron adotou uma postura pragmática de equilíbrio. Marine Le Pen, com vínculos à Rússia, criticou a ação, alinhada aos interesses do Kremlin em manter a Venezuela como vitrine antiocidental.

O cinismo da esquerda brasileira e a realidade venezuelana

A reação de Lula, em nome da “não intervenção”, silenciou sobre os problemas reais da Venezuela, revelando, segundo a análise, um alinhamento ideológico e interesse político. “Aqui está a mentira central da esquerda brasileira: a ideia de ‘desinteresse’. Não existe desinteresse em política. O que existe é interesse ideológico travestido de virtude moral”, afirma Martins.

A esquerda, que antes denunciava imperialismos abstratos, hoje defende regimes concretos sustentados por drogas e fome, quando conveniente à sua narrativa. O erro moral, aponta Martins, não é ter interesses, mas fingir que não existem enquanto se justificam opressões reais em nome de abstrações políticas.

No contexto venezuelano, os interesses dos Estados Unidos convergem com o desejo da população por democracia, estabilidade e reconstrução. A autodeterminação da Venezuela dependerá da reorganização desses interesses, e o colapso da convergência entre ditadura, crime e potências autoritárias é o primeiro passo para que os venezuelanos voltem a decidir seu destino.

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