Partido Missão propõe ‘direito penal do inimigo’ para combater crime organizado e critica modelos políticos atuais.
O partido Missão, uma nova agremiação que disputará a Presidência em 2026, surge com propostas que buscam atrair um eleitorado insatisfeito com a política tradicional. Liderado por Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), o partido propõe uma plataforma que inclui uma forte “guerra ao crime organizado”, com medidas drásticas e inspiradas nos métodos do ministro Alexandre de Moraes em seus inquéritos.
A legenda também visa combater a compra de votos e o uso indevido de verbas públicas, como emendas parlamentares e fundos partidário e eleitoral. Renan Santos afirma que o partido representa uma “direita mais radical” e uma “ruptura geracional”, buscando dar espaço aos “millenials” e gerar uma nova elite intelectual na política brasileira.
O discurso do partido Missão se diferencia da direita ligada a Jair Bolsonaro, criticando uma defesa “performática” de valores como “Deus, pátria, família e liberdade”, que, segundo Santos, não é praticada na vida real por muitos políticos. A inspiração do partido vem de leituras sobre o Brasil e da “direita tech” americana, com referências históricas como o movimento tenentista e a Revolução Constitucionalista de 1932. A informação é baseada em entrevista concedida por Renan Santos à Gazeta do Povo.
Combate ao Crime Organizado: Método e Inspiração
Uma das propostas centrais do partido Missão é a aplicação do “direito penal do inimigo” contra membros de facções criminosas. Renan Santos justifica a abordagem, afirmando que as cortes superiores já utilizam esse método de forma eficaz contra o que ele chama de “bolsonarista” ou “militante do bolsonarismo” nos inquéritos conduzidos por Alexandre de Moraes. A intenção é redirecionar essa mesma lógica para o combate à criminalidade organizada.
Santos explica que a aplicação seria feita com base em critérios objetivos, definindo alvos como membros do Comando Vermelho, desde a estrutura organizacional até traficantes e financiadores. A ideia é que, comprovada a filiação à facção, o indivíduo seja tratado como “inimigo” do Estado, sem as mesmas garantias processuais de cidadãos comuns. A proposta é clara: “O inimigo ele tem que ser destruído”, afirma Santos.
A inspiração para essa medida vem da rapidez e rigidez com que foram tratadas as pessoas presas em 8 de janeiro, demonstrando, segundo o pré-candidato, que o Estado se vale de tais mecanismos quando identifica um risco grande. A diferença, segundo ele, é que o partido Missão propõe alterações legislativas claras, ao invés de medidas “criativas” e sem base legal explícita, como ele sugere ter ocorrido em outros contextos.
Reforma do Estado e Críticas ao Centrão
O partido Missão também mira o “Centrão”, criticando sua dependência de emendas parlamentares e fundos públicos. Renan Santos compara o grupo a um “usuário de crack”, viciado em verbas. A proposta é criar instrumentos que incentivem um comportamento “republicano” e condicionar o recebimento de verbas, como fundos partidário e eleitoral, ao desempenho de prefeitos e governadores em índices de educação, saúde e segurança.
A legenda defende uma reforma administrativa que mude a dinâmica de gestão das cidades, argumentando que a pobreza urbana alimenta o “voto fisiológico” e a compra de votos. A ideia é que o financiamento público e as emendas sejam distribuídos de forma mais objetiva, baseada em resultados, e não apenas no número de votos de um deputado. O objetivo é “interromper o ciclo do Centrão” e mudar o sistema de incentivos para os políticos.
Além disso, o partido planeja um “ajuste fiscal muito duro”, alertando para a possibilidade de o Brasil “quebrar a partir de 2027”. Santos acredita que a resolução do crime organizado, a organização das contas públicas e a reforma administrativa são as “três grandes reformas estruturantes” necessárias para o país voltar a ser competitivo e aumentar sua capacidade de investimento.
Discurso para Eleitores e Diferenciação da Direita
Renan Santos reconhece que seu discurso de ajuste fiscal pode não agradar eleitores de baixa renda, que ele acredita estarem sob forte influência do PT e do “assistencialismo”. No entanto, ele afirma que o partido Missão não busca esse voto, mas sim o de eleitores que se sentem frustrados com a dependência do Estado e buscam “alguém que fale exatamente isso”.
O pré-candidato critica o bolsonarismo por uma “defesa performática” de valores conservadores, que ele considera superficial e voltada para redes sociais. O partido Missão, por outro lado, propõe uma defesa genuína, com ênfase em um nacionalismo que busca autossuficiência em segurança alimentar, energética e militar. A legenda também defende a família nuclear como base da civilidade e a liberdade de expressão, com limites claros, como a proibição de propaganda para facções criminosas em tempos de “guerra” contra elas.
O partido se inspira em figuras como Nayib Bukele, em El Salvador, e Javier Milei, na Argentina, para o combate ao crime e a economia, respectivamente. A meta é também promover a “destruição das oligarquias locais”, um problema que, segundo Santos, aflige diversos países latino-americanos. A intenção é criar um projeto político com propostas claras e que valha a pena ser discutido, buscando uma “ruptura” na forma de fazer política no Brasil.