Guerra na Ucrânia: Rússia usa drones em "safári humano" aterrorizante em Kherson, atacando civis e ferindo inocentes

Guerra na Ucrânia: Rússia usa drones em “safári humano” aterrorizante em Kherson, atacando civis e ferindo inocentes

Resumo

Guerra na Ucrânia: Rússia usa drones em “safári humano” aterrorizante em Kherson, atacando civis e ferindo inocentes

Um vídeo chocante divulgado pela Polícia Nacional da Ucrânia revelou um ataque brutal em Kherson, onde um drone russo perseguiu e feriu um vendedor de verduras. O incidente, descrito como um “safári humano”, levanta sérias preocupações sobre crimes de guerra e o uso de táticas aterrorizantes contra a população civil.

Essa expressão, “safári humano”, tem sido usada por moradores, autoridades ucranianas e organizações de direitos humanos para descrever os ataques em que operadores de drones russos parecem escolher, seguir e atingir civis deliberadamente. A Rússia nega atacar civis intencionalmente, mas investigações apontam para uma escalada de ataques contra alvos não militares.

O caso do vendedor Yurii, de 52 anos, que sobreviveu a um ataque de drone com ferimentos, é apenas um dos muitos exemplos documentados. A persistência desses ataques em Kherson, uma região estratégica próxima às linhas russas, tem gerado um clima de medo e desespero entre os habitantes.

Como funcionam os drones FPV em “safáris humanos”

Os chamados “safáris humanos” são realizados principalmente com pequenos drones do tipo quadricóptero ou FPV (visão em primeira pessoa). Esses equipamentos são equipados com câmeras que transmitem imagens ao vivo para o operador, permitindo um controle preciso do voo e a perseguição contínua do alvo até o momento da explosão. A capacidade de manobra desses drones, que podem carregar granadas e explosivos, permite que sigam veículos, voem entre construções e alcancem pessoas em fuga.

O alcance desses drones varia de cinco a 25 quilômetros, e as imagens em tempo real permitem que o operador identifique se o alvo é um civil ou um militar. Essa capacidade de observação é um dos elementos cruciais que levam investigadores a concluir que muitos ataques de drones contra civis são deliberados. A Human Rights Watch documentou pelo menos 45 ataques de drones russos em áreas de Kherson que aparentavam ter como alvo civis ou estruturas sem finalidade militar.

Civis perseguidos e aterrorizados nas ruas de Kherson

Relatos de civis perseguidos nas ruas de Kherson são cada vez mais frequentes. Anastasia Pavlenko, de 23 anos, foi perseguida por um drone russo de bicicleta por quase 300 metros antes de ser atingida por um explosivo. Apesar dos ferimentos graves, ela conseguiu buscar ajuda. Vídeos publicados em canais militares russos confirmaram a perseguição antes do ataque.

A Human Rights Watch também registrou casos de drones seguindo pessoas a pé, de carro, dentro de suas casas, além de ataques a ambulâncias, equipes de resgate, hospitais, ônibus, mercados e veículos de transporte de alimentos. Uma mulher relatou ter tentado se esconder entre árvores enquanto o drone circulava e se aproximava, e um ciclista descreveu o equipamento lançando uma granada e permanecendo sobre ele após a explosão.

Kherson, um alvo estratégico para ataques de drones

A localização estratégica de Kherson, na margem direita do rio Dnieper e próxima às forças russas posicionadas do outro lado, a torna um alvo frequente. A proximidade permite o lançamento de drones de curto alcance contra bairros residenciais, estradas e comunidades ribeirinhas. Desde meados de 2024, os ataques de drones se tornaram parte da rotina da população local.

Os bairros mais próximos ao rio são os mais atingidos, com drones circulando constantemente. Isso dificulta a entrega de suprimentos essenciais como comida e medicamentos, o trabalho de equipes de manutenção e a saída dos moradores de suas casas. O medo constante e a atenção redobrada ao barulho dos drones levam os habitantes a buscar abrigos improvisados, como árvores e viadutos.

Vítimas, feridos e o impacto psicológico dos ataques

Entre maio e dezembro de 2024, ataques com drones deixaram pelo menos 30 civis mortos e 483 feridos em Kherson, segundo a Human Rights Watch. Em janeiro de 2025, drones foram responsáveis por 70% das vítimas civis registradas na cidade pela missão de monitoramento da ONU. Dados locais indicam mais de uma centena de mortos e mil feridos nos primeiros nove meses de 2025.

Além das fatalidades e ferimentos, os sobreviventes relatam pesadelos, desorientação, ansiedade e um medo constante de sair de casa. O impacto psicológico desses ataques é devastador, transformando a vida cotidiana em um estado de alerta permanente. A repetição, a escala e o padrão desses ataques levantam a possibilidade de crimes contra a humanidade, segundo a Human Rights Watch.

Violações do direito internacional e crimes de guerra

O direito internacional proíbe ataques direcionados contra civis e objetos de uso civil, exigindo a diferenciação clara entre alvos militares e protegidos. Os ataques de drones russos contra civis em Kherson constituem aparentes violações das leis de guerra e, quando cometidos deliberadamente, podem ser classificados como crimes de guerra. Uma comissão independente da ONU já apontou que forças russas mataram e feriram civis repetidamente na Ucrânia.

A estratégia voltada a espalhar terror entre a população, aliada aos ataques que resultam em mortes e ferimentos graves, pode configurar crimes contra a humanidade. A comunidade internacional acompanha com preocupação a escalada desses atos e a necessidade de responsabilização pelos crimes cometidos.

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