Javier Milei expressa preferência por Flávio Bolsonaro e alfineta Lula em entrevista sobre Venezuela
O presidente da Argentina, Javier Milei, declarou publicamente que não vê motivos para dialogar com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a crise na Venezuela. Milei manifestou sua preferência pela vitória do senador Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais brasileiras deste ano.
As declarações foram feitas em entrevista ao jornalista Andrés Oppenheimer, da CNN, publicada neste sábado. Questionado sobre a posição brasileira em relação à Venezuela, Milei foi enfático ao afirmar que não tem “nada a falar com Lula” sobre o tema, endossando a postura dos Estados Unidos de confronto direto com o regime de Nicolás Maduro, em oposição à diplomacia brasileira.
Milei caracterizou as propostas de Lula como parte do “socialismo do século 21” e disse preferir uma “solução com os Bolsonaro” no Brasil. Apesar das críticas, o presidente argentino ressaltou que diferenças políticas não impedem a continuidade de relações comerciais benéficas entre os países, conforme divulgado pela CNN.
Flávio Bolsonaro celebra apoio de Milei e vislumbra parceria comercial a partir de 2027
Em resposta à manifestação de apoio de Javier Milei, Flávio Bolsonaro expressou entusiasmo, considerando o gesto um sinal de sintonia entre lideranças que defendem a liberdade econômica e a integração regional baseada no mercado. O senador, pré-candidato à Presidência, afirmou nas redes sociais que, a partir de 2027, a convergência política entre Brasil e Argentina poderia resultar em uma “parceria comercial efetiva”.
Flávio Bolsonaro prevê, caso eleito, a redução de barreiras comerciais, o estímulo ao comércio bilateral e a cooperação em energia e infraestrutura. Ele também almeja um reposicionamento do Mercosul com bases mais pragmáticas, vendo o endosso de Milei como um indicativo de um cenário externo favorável para a construção desse eixo econômico, em contraste com o modelo criticado por Milei em governos de esquerda.
Tensões diplomáticas entre Brasil e Argentina se acentuam com novas declarações
As falas de Milei ocorrem em um contexto de atritos constantes entre Brasil e Argentina. O Itamaraty informou aos governos de Buenos Aires e Caracas que o Brasil deixará de representar os interesses da Argentina na Venezuela. Essa função vinha sendo exercida desde agosto de 2024, após a expulsão do corpo diplomático argentino de Caracas.
A custódia da embaixada argentina em Caracas, que incluía assistência consular e a cidadãos, será transferida para a Itália, segundo fontes diplomáticas. Essa mudança reflete as profundas divergências entre as abordagens de Brasília e Buenos Aires em relação à Venezuela, especialmente após a recente operação que resultou na captura de Maduro pelos EUA, enquanto Lula condenava intervenções militares estrangeiras e Milei apoiava a pressão americana.
Acordo Mercosul-União Europeia avança em meio a divergências regionais
Em outro desenvolvimento relevante para as relações comerciais na América do Sul, os países da União Europeia aprovaram um acordo histórico de livre-comércio com o Mercosul, encerrando 25 anos de negociações. O tratado, que ainda aguarda aprovação final do Parlamento Europeu e assinatura formal, prevê o fim gradual de tarifas sobre 90% das mercadorias comercializadas entre os blocos.
Este acordo visa ampliar o acesso de produtos sul-americanos ao mercado europeu e fortalecer investimentos bilaterais, representando um passo significativo para a criação de uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo. A notícia surge em um momento de reconfiguração das alianças e interesses na região, com as declarações de Milei adicionando uma nova camada de complexidade ao cenário político e econômico sul-americano.