Renan Santos imita Pablo Marçal e adota "economia da atenção" para eleição 2026, mas corre risco de alta rejeição

Renan Santos imita Pablo Marçal e adota “economia da atenção” para eleição 2026, mas corre risco de alta rejeição

Resumo

Candidato à Presidência Renan Santos aposta em “economia da atenção”, tática de Pablo Marçal em 2024, para ganhar destaque nas eleições de 2026, mas enfrenta o desafio de evitar alta rejeição.

A estratégia de gerar polêmica e atrair o holofote, conhecida como “economia da atenção”, que rendeu visibilidade a Pablo Marçal nas eleições de 2024, agora é a aposta de Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido Missão, para as eleições de 2026.

Essa tática, que se assemelha ao “marketing de guerrilha” por seu baixo custo e métodos não convencionais, consiste em transformar debates e adversários em material para viralizar nas redes sociais, definindo a agenda política pelo atrito e pela provocação.

No entanto, o uso dessa estratégia, que já levou Marçal a uma alta rejeição em 2024, pode ser um risco para Santos. Especialistas alertam que a agressividade, quando se torna o objetivo principal, pode minar a credibilidade e a amplitude eleitoral do candidato. Conforme aponta a reportagem, a estratégia foi usada por Marçal em 2024 e agora é replicada por Renan Santos, com dados de pesquisas indicando um crescimento em intenções de voto, mas também um aumento na rejeição.

Renan Santos empata com nomes consolidados e aposta em baixo custo

Renan Santos, em sua primeira candidatura presidencial e com um partido recém-criado com baixo fundo eleitoral, aparece em pesquisas de intenção de voto empatado com governadores de carreira consolidada, como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Uma sondagem da Quaest divulgada em 14 de setembro apontou Santos com 4% das intenções de voto, empatado com Caiado (4%) e Zema (2%), dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Em outro levantamento da AtlasIntel, divulgado no final de julho, Santos chegou a ultrapassar os governadores, com 7,8% das intenções de voto, à frente de Caiado (3,1%) e Zema (2,8%), considerando a margem de erro de um ponto percentual. Analistas, contudo, avaliam que as chances de vitória ainda são baixas, mas reconhecem a eficiência de Santos em gastar menos para obter resultados semelhantes aos de adversários com mais recursos.

Pablo Marçal: pioneiro da “economia da atenção” e o risco da rejeição

A “economia da atenção”, termo cunhado por especialistas em marketing, foi intensamente utilizada por Pablo Marçal em 2024, quando disputou a prefeitura de São Paulo. Sua estratégia envolveu a geração de polêmicas e, em alguns casos, agressões físicas, como a cadeirada de José Luiz Datena e o soco desferido por um assessor de Marçal. Essa abordagem, apesar de gerar visibilidade, resultou em alta rejeição, o que, segundo analistas, contribuiu para sua não ida ao segundo turno.

Marçal, que teve sua candidatura à presidência registrada em 15 de setembro após uma liminar, mesmo estando inelegível, demonstra a persistência de sua estratégia de marketing. Essa tática, caracterizada por “fazer campanha de baixo orçamento com meios não convencionais”, busca transformar o ambiente político em um “palco de guerrilha” digital.

A tática de “guerrilha digital”: atenção versus credibilidade

A estratégia de “guerrilha digital” utilizada por Marçal e agora por Santos consiste em transformar o adversário em matéria-prima para a criação de conteúdos que gerem cortes para as redes sociais. O debate político deixa de ser um espaço de propostas e se torna um estúdio de gravação, onde o material é “picotado” e distribuído em massa pela militância digital, definindo a agenda do dia pelo atrito.

“A escalada é obrigatória, porque o que chocou ontem não choca amanhã”, afirma Marcelo Vitorino, consultor e professor de marketing político da ESPM. Ele explica que a polêmica entrega visibilidade rápida, mas cobra um preço em rejeição posteriormente. “Chamar atenção é a parte barata do trabalho, sustentar é a parte cara”, completa.

O risco de repetição e a perda da vantagem competitiva

William de Souza Castro, professor de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Belas Artes, aponta que a agressividade pode deixar de produzir ganho marginal de atenção e começar a cobrar um preço em credibilidade e confiança. A estratégia eficaz, segundo ele, é aquela em que a ruptura gera atenção, mas também reforça atributos desejáveis como coragem e competência.

O fato de Renan Santos adotar uma tática já conhecida após o “efeito Marçal” pode ser uma desvantagem. “Marçal surpreendeu em parte porque muitos concorrentes ainda estavam jogando segundo uma lógica tradicional. Quando todos entendem a técnica, ela perde parte da vantagem competitiva”, observa Castro. Ele alerta que “a guerrilha de 2026 não pode ser simplesmente repetir a guerrilha de 2024”, pois a população, a imprensa e os adversários já conhecem essa lógica.

A reportagem buscou contato com as assessorias de imprensa de Renan Santos e Pablo Marçal, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto.

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