PF investiga Lulinha e aliados por suspeita de lobby milionário para vender canabidiol ao Ministério da Saúde

PF investiga Lulinha e aliados por suspeita de lobby milionário para vender canabidiol ao Ministério da Saúde

Resumo

Polícia Federal apura esquema de lobby para venda de canabidiol ao governo, envolvendo aliados de Lulinha

Uma investigação da Polícia Federal trouxe à tona uma suposta articulação de aliados de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, para viabilizar a venda de um grande volume de canabidiol ao Ministério da Saúde. O plano envolvia a comercialização de 1,2 milhão de frascos da substância, com um valor estimado em R$ 626 milhões, aproveitando-se de decisões judiciais que obrigam o governo a fornecer o medicamento.

A proposta, segundo a apuração, visava explorar a chamada ‘judicialização da saúde’, um fenômeno em que a Justiça determina o fornecimento de tratamentos não previstos na lista oficial do SUS. O objetivo seria criar um estoque estratégico de canabidiol, garantindo um suprimento para atender a futuras demandas judiciais e, ao mesmo tempo, gerar um contrato de vulto para o grupo.

As suspeitas recaem sobre tráfico de influência e lobby ilegal, com mensagens e documentos indicando o envolvimento de pessoas próximas ao poder. O Ministério da Saúde, por sua vez, nega qualquer negociação ou intenção de contratar o canabidiol em larga escala. As informações foram divulgadas pela equipe de reportagem da Gazeta do Povo.

Aliados de Lulinha e empresários sob investigação por tráfico de influência

O foco principal da investigação da Polícia Federal recai sobre Fábio Luís Lula da Silva, Lulinha, sob suspeita de tráfico de influência. Ele teria atuado em conjunto com a empresária Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo, o ‘Careca do INSS’. Mensagens trocadas entre os investigados revelam a comunicação com figuras ligadas ao governo, como o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), e o ex-secretário-executivo da Saúde, Swedenberger Barbosa.

As evidências coletadas pela PF sugerem uma rede de lobby ilegal, com indícios de que Roberta Luchsinger teria adquirido joias para Marcola. Esses fatos reforçam as suspeitas sobre a atuação do grupo em busca de influenciar decisões governamentais em benefício próprio, visando a concretização do lucrativo contrato de fornecimento de canabidiol.

Viagem a Portugal e interesse em cannabis medicinal sob escrutínio

Em novembro de 2024, Lulinha realizou uma viagem a Portugal, com as despesas integralmente custeadas pelo ‘Careca do INSS’. Durante essa mesma ocasião, o empresário teria tratado de um projeto voltado para a produção industrial de cannabis medicinal na região. A defesa de Lulinha confirmou a viagem, mas refutou qualquer intenção comercial ilícita, alegando que o interesse era de caráter pessoal e motivado por curiosidade, visto que um familiar utiliza a substância para fins terapêuticos.

Roberta Luchsinger também minimizou a relevância da viagem, afirmando que a motivação principal estava relacionada ao tratamento médico de um parente. Ambas as defesas negam veementemente qualquer tentativa de negociar contratos com o governo federal durante essa ocasião ou em qualquer outra circunstância.

Versões dos envolvidos e posição do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde, em nota oficial, descartou veementemente qualquer possibilidade de contratar o canabidiol em larga escala. A pasta reforçou que a substância não faz parte da lista oficial de medicamentos fornecidos pelo SUS e que nunca houve qualquer discussão para sua oferta ampla na rede pública. A declaração visa esclarecer a posição do órgão diante das suspeitas levantadas pela investigação policial.

Por outro lado, as defesas de Lulinha e Roberta Luchsinger negam categoricamente qualquer irregularidade ou vínculo empresarial entre eles. Os advogados dos investigados criticam a condução da investigação, classificando-a como uma tentativa de perseguição política. Afirmam ainda que a minuta do contrato jamais avançou de forma prática dentro do Ministério da Saúde. Roberta Luchsinger também alega que os pagamentos recebidos de Antônio Carlos Camilo se referem a honorários por consultorias legais, e não a atividades de lobby.

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