Ex-secretário Berger, citado pela PF em negócios bilionários, mantém cargo no Planalto e acesso a Lula

Ex-secretário Berger, citado pela PF em negócios bilionários, mantém cargo no Planalto e acesso a Lula

Resumo

Ex-número dois da Saúde é citado em apuração da PF sobre tráfico de influência e mantém cargo de confiança no Planalto

O ex-secretário-executivo da Saúde, Swedenberger do Nascimento Barbosa, conhecido como Berger, segue frequentando o Palácio do Planalto e despachando diretamente com o presidente Lula. Em agosto de 2026, ele mantinha sua influência mesmo após mensagens interceptadas pela Polícia Federal o indicarem como contato estratégico para um grupo que visava negócios bilionários na pasta.

As informações revelam que Berger era visto como peça fundamental para viabilizar contratos milionários, incluindo um de R$ 626 milhões para a venda de canabidiol. Essas apurações, baseadas em mensagens e depoimentos analisados pela PF, indicam um possível esquema de tráfico de influência, conforme apurado pela Gazeta do Povo.

Apesar de não ser formalmente investigado, o nome de Berger surge como um elo crucial nas negociações. A investigação apura a atuação de outras figuras, como o filho do presidente, Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger, que teriam buscado acesso ao Ministério da Saúde para intermediar o negócio.

Berger: A Ponte para Negócios Milionários na Saúde

As mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam que Swedenberger Barbosa, o Berger, era o contato estratégico de um grupo para viabilizar negócios no Ministério da Saúde. O objetivo era fechar um contrato de R$ 626 milhões para a venda de 1,2 milhão de frascos de canabidiol, um composto derivado da maconha medicinal, sem a necessidade de licitação. As conversas sugerem que a influência de Berger era considerada **fundamental para o sucesso** da operação, que, no entanto, não avançou na pasta.

Investigação Aponta Esquema de Tráfico de Influência Envolvendo Lulinha

A investigação apura se Fávio Luíz Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger atuaram para abrir portas no governo. O grupo pretendia explorar uma brecha na lei que obriga o SUS a fornecer canabidiol para pacientes com decisões judiciais favoráveis. Roberta Luchsinger, amiga pessoal de Lulinha, teria recebido R$ 1,5 milhão do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Em uma das transações, o empresário se referiu ao destinatário final como ‘o filho do rapaz’, o que a PF interpreta como uma possível menção a Lulinha. A defesa nega o repasse e afirma que os valores eram para consultoria técnica.

Defesa e Ministério da Saúde Rebatem Acusações

Berger confirmou ter recebido o empresário Antunes em seu gabinete enquanto ocupava o cargo de secretário-executivo da Saúde. Ele justificou os encontros como parte de suas atribuições normais e negou ter recebido orientações externas. Segundo ele, as tratativas não avançaram pois o Ministério não demonstrou interesse nos produtos de cannabis. O Ministério da Saúde, por sua vez, declarou que nunca houve discussão formal para ofertar o medicamento no SUS sob a atual gestão. Antunes esteve na pasta ao menos cinco vezes entre 2024 e 2025, algumas delas sem registro na agenda oficial.

Berger Mantém Cargo de Confiança no Planalto Enquanto Caso Tramita

Após deixar a Secretaria Executiva da Saúde em 2025, Berger assumiu um cargo de confiança no Gabinete Pessoal da Presidência, mantendo assim sua proximidade com o presidente Lula. O governo optou por mantê-lo no posto enquanto a Polícia Federal analisa o material coletado. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou este braço da investigação. Recentemente, a Procuradoria-Geral da República solicitou o envio do caso para a primeira instância, argumentando que os citados não possuem foro privilegiado. Contudo, a tendência é que o processo permaneça sob a supervisão direta do tribunal em Brasília.

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