Investigação da PF sobre Flávio Bolsonaro e o filme “Dark Horse” avança com autorização do STF
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está sob investigação da Polícia Federal desde julho deste ano. O inquérito apura o envolvimento do parlamentar no financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A investigação, que foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da própria corporação policial, ganhou destaque nesta sexta-feira (11). As informações constam em documentos referentes à investigação do Banco Master, que foram tornados públicos pelo magistrado na véspera.
Flávio Bolsonaro é suspeito de cometer crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, além de outros delitos correlatos. O senador nega irregularidades, classificando a situação como uma “armação” e uma tentativa de interferência política. Conforme informação divulgada pela mídia, o senador reconheceu a cobrança de valores para a produção do filme, mas defende que se trata de um financiamento privado para uma produção privada.
Detalhes da autorização e suspeitas
Na decisão que autorizou a abertura do inquérito, Mendonça escreveu: “Autorizo […] a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial”. A Polícia Federal encaminhou o pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR), que não se opôs à investigação, antes de repassar ao ministro do STF.
Em meados de maio, áudios vazados à imprensa revelaram que Flávio Bolsonaro teria cobrado R$ 134 milhões de um empresário para a produção do filme, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos. Uma das frentes de investigação busca apurar a origem e a destinação dos recursos, bem como a existência de irregularidades nas operações financeiras ligadas ao filme e o papel exato do senador nesse processo.
Outras operações e declarações de Flávio Bolsonaro
A investigação sobre o filme “Dark Horse” ocorre em paralelo a outra operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, também do STF. Esta apura o suposto uso irregular de recursos de emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias (PL-SP) para entidades ligadas à produtora do filme. Cerca de R$ 2 milhões teriam sido destinados a instituições presididas pela dona da produtora Go Up.
Mário Frias classificou essa operação como “cortina de fumaça” com viés político, especialmente por ter sido autorizada a menos de um mês da eleição. Flávio Bolsonaro, por sua vez, considera a operação uma “armação” e reitera que não há nada de errado com o filme, afirmando que tudo já foi esclarecido e que o assunto está encerrado.
Sigilo e possíveis novas fases da investigação
Fontes com conhecimento da investigação indicam que o conteúdo mais detalhado do inquérito sobre Flávio Bolsonaro permanece sob sigilo. A Polícia Federal informou ter encontrado, em maio, mais conversas entre o senador e o empresário em questão. Novas fases de operações relacionadas ao “Dark Horse” podem ser deflagradas em breve, de acordo com apurações.
Apesar das negativas do senador, que promete apresentar uma prestação de contas detalhada sobre o financiamento, nenhuma informação pública sobre o financiamento foi divulgada até o momento. Flávio Bolsonaro mantém a posição de que a investigação não encontrará irregularidades, declarando: “Pode revirar do avesso, de cima para baixo, de trás para frente, de um lado para o outro, de ponta-cabeça, que não vai ter nada”.