Brasileiros ‘Invisíveis’ Podem Ser a Chave para as Eleições de 2026, Revela Estudo
As próximas eleições presidenciais em 2026 prometem ser um novo capítulo na acirrada polarização política brasileira. Contudo, uma parcela significativa do eleitorado, muitas vezes subestimada, pode ser o fiel da balança para o resultado.
Esses eleitores, que não se encaixam totalmente nos perfis progressista ou conservador, formam o chamado “Brasil Invisível”. Eles desconfiam do sistema político, mas preferem evitar confrontos ideológicos, focando em questões práticas.
Uma pesquisa recente detalha esses perfis, dividindo-os em “desengajados” e “cautelosos”, ambos representando 27% do eleitorado. Essa maioria silenciosa, com foco em trabalho, segurança e serviços públicos, pode definir o próximo pleito, conforme aponta o estudo “O Brasil Invisível”, da organização More in Common.
O “Brasil Invisível”: Quem São e o Que Querem?
A pesquisa da More in Common, que entrevistou mais de 10 mil pessoas, identificou seis perfis de eleitores. Além dos já citados “desengajados” e “cautelosos”, existem os “conservadores” (21%), focados em religiosidade e estabilidade, e os “patriotas indignados” (6%), mais ativos em manifestações. Ambos os grupos tendem a desconfiar de instituições como o Legislativo, Judiciário e a imprensa, buscando informações em plataformas como WhatsApp e YouTube.
No espectro oposto, os “progressistas militantes” (5%) e a “esquerda tradicional” (14%) somam 19%. Os militantes se destacam por maior escolaridade e renda, enquanto a esquerda tradicional valoriza a justiça social e a proteção dos vulneráveis, com menos apego a pautas identitárias.
Os “desengajados”, que em 2022 tiveram 30% de abstenções, votos brancos ou nulos, são o segmento menos escolarizado e mais pobre. Com 65% de renda familiar abaixo de R$ 5 mil, eles se concentram mais no Nordeste e em áreas rurais. A maioria (72%) se identifica como conservadora, mas não simpatiza com nenhum partido e prioriza segurança econômica, saúde de qualidade e combate à pobreza.
Pragmatismo Decide Eleições
O cientista político Márcio Coimbra, CEO da Casa Política, destaca a importância desse eleitorado. “Este eleitor não é apenas decisivo para a presidência, mas atua como o fiel da balança nas eleições estaduais e legislativas”, afirma. Diferente dos polos, que votam por convicção ou rejeição, o “Brasil invisível” vota por demandas concretas e pela busca por estabilidade.
Coimbra explica que, em disputas estaduais, esse eleitor tende a favorecer candidatos focados em boa gestão, e não em guerras ideológicas. No âmbito legislativo, a influência se traduz em apoio a candidaturas que prometem ordem e proteção social, consolidando um Congresso mais pragmático.
Fadiga da Polarização e Busca por Soluções
O estudo aponta que o debate político brasileiro migrou do eixo econômico para o moral, com “guerras culturais” definindo identidades. No entanto, a maioria da população expressa posições intermediárias, combinando elementos progressistas e conservadores.
Márcio Coimbra observa que o desgaste da retórica binária abre espaço para novas dinâmicas em 2026. Ao contrário de 2022, quando a eleição foi decidida por margem estreita em um cenário de “nós contra eles”, o próximo pleito se desenha sob a “fadiga democrática”, onde o eleitorado demonstra exaustão.
A polarização pode se fragmentar e migrar de uma disputa afetiva para uma “polarização de desempenho”. A retórica ideológica pode não ser suficiente para mascarar lacunas de gestão ou a ausência de um projeto de futuro claro. A hegemonia dos polos será testada pela capacidade de dialogar com as ansiedades de uma classe média e de estratos populares que buscam saídas para a paralisia decisória.
Em suma, enquanto a polarização ainda mobiliza bases, o diálogo com o “Brasil invisível”, focado em eficiência administrativa e segurança jurídica, pode ser o diferencial para a vitória majoritária e a sustentabilidade do poder a longo prazo.