Líder chinês Xi Jinping e presidente brasileiro Lula da Silva discutem alinhamento global em ligação telefônica
Em um momento de crescentes tensões internacionais e redefinições geopolíticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu um telefonema do líder chinês, Xi Jinping. Durante a conversa, Xi Jinping fez um apelo para que Brasil e China permaneçam unidos “no lado correto da história”, além de refutar veementemente as alegações de que Pequim represente uma “ameaça” global.
A ligação ocorreu pouco após a participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial em Davos, onde políticas externas americanas geraram apreensão. A conversa entre Xi e Lula, conforme comunicado pelo Ministério das Relações Exteriores chinês, sinaliza um esforço para fortalecer laços e alinhar posições em um cenário mundial considerado “turbulento”.
O líder chinês destacou a importância de Brasil e China, como membros proeminentes do Sul Global, atuarem como “forças construtivas” para a paz e estabilidade internacionais, além de contribuírem para a reforma da governança global. Essa articulação diplomática ocorre em um contexto de fricções comerciais entre China e EUA, e ajustes econômicos bilaterais, como as recentes restrições chinesas à carne bovina brasileira.
Xi Jinping refuta “ameaça chinesa” e defende “equidade internacional”
Durante a conversa com Lula, Xi Jinping classificou as acusações de que a China seria uma “ameaça” como “totalmente infundadas”. Ele criticou o que chamou de “acusações sem fundamento” e a prática de “fabricar pretextos” para “buscar benefícios egoístas”, em uma aparente referência indireta a declarações de líderes ocidentais sobre a expansão chinesa em regiões como o Ártico e a Groenlândia.
O presidente chinês enfatizou a necessidade de proteger os “interesses comuns” dos países em desenvolvimento e de preservar o papel central da Organização das Nações Unidas (ONU). Xi Jinping clamou pela defesa da “equidade e da justiça internacionais”, reforçando a visão chinesa sobre a ordem mundial.
Brasil e China buscam aprofundar “comunidade de futuro compartilhado”
Xi Jinping relembrou que, em 2024, as relações entre China e Brasil foram elevadas ao patamar de uma “comunidade de futuro compartilhado”, com o objetivo de promover “um mundo mais justo e um planeta mais sustentável”. Segundo o líder chinês, a cooperação bilateral tem avançado de forma “sólida e pragmática” desde então.
Ele também mencionou que o início do 15º Plano Quinquenal chinês (2026-2030) abre novas oportunidades para aprofundar a cooperação econômica, comercial e tecnológica. Xi expressou a disposição da China em ampliar uma colaboração “integral e mutuamente benéfica” com o governo brasileiro.
Lula concorda com papel de Brasil e China no multilateralismo
Em resposta, o presidente Lula da Silva destacou que a visita de Xi Jinping ao Brasil em 2024 foi um “impulso decisivo” para as relações bilaterais, com “avanços significativos” na cooperação em diversas áreas. Lula concordou com a importância de China e Brasil como defensores do multilateralismo e do livre comércio.
O presidente brasileiro defendeu uma maior coordenação entre os países para “reforçar a autoridade das Nações Unidas”, fortalecer a cooperação no âmbito dos BRICS e contribuir para a estabilidade regional e global, conforme relatado pela chancelaria chinesa. A conversa reflete um alinhamento estratégico entre as duas nações em um momento crucial para a ordem internacional.