PF ouve 8 envolvidos na compra frustrada do Master pelo BRB
A Polícia Federal iniciou nesta segunda-feira (26) a oitiva de oito pessoas investigadas no inquérito que apura suspeitas de irregularidades na tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). A negociação, barrada pelo Banco Central no ano passado, deu origem à Operação Compliance Zero e levanta suspeitas sobre o que pode ser a maior fraude financeira do país.
Os depoimentos estão sendo realizados no Supremo Tribunal Federal (STF), por decisão do relator Dias Toffoli, que prorrogou a investigação por mais 60 dias. A PF busca detalhes sobre a operação que, segundo as investigações, pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões às custas do BRB.
As apurações indicam a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) pelo Banco Master com promessas de rendimentos irrealistas, superiores em até 40% à taxa básica de mercado. Há indícios da participação de dirigentes do banco estatal nas operações investigadas, ampliando o escopo do inquérito. Conforme informação divulgada pela PF, o Banco Central impediu a conclusão do negócio devido a riscos identificados na operação, mesmo após um acordo de compra ter sido firmado em março.
Primeiro dia de depoimentos no STF
Na segunda-feira (26), quatro investigados prestaram depoimento. Entre eles, estavam dirigentes do BRB, executivos do Banco Master e empresários ligados ao caso. Foram ouvidos Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB, e Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master.
Também prestaram depoimento André Felipe de Oliveira Seixas Maia, ex-funcionário do Master e diretor da Tirreno (empresa que gerou créditos de dívidas revendidos ao BRB), e Henrique Souza e Silva Peretto, proprietário formal da Tirreno. A presença desses nomes reforça o foco nas empresas e executivos envolvidos na transação.
Segundo dia com mais envolvidos sob o escrutínio da PF
Na terça-feira (27), a Polícia Federal tomou o depoimento de outros quatro envolvidos. A lista incluía atuais e ex-dirigentes do Banco Master e do BRB. Estão entre eles Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB, e Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Master.
Complementam a lista de ouvidos nesta terça Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do banco, e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição. A série de depoimentos visa detalhar a complexa teia de relações e transações financeiras sob investigação.
Operação Compliance Zero e a suspeita de fraude bilionária
O inquérito apura os detalhes da tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, com o caso sendo deslocado para o STF em dezembro passado. A Polícia Federal aponta que o Banco Master teria emitido CDBs com promessas de rendimentos fictícios, um esquema que pode ter movido cerca de R$ 12 bilhões. A PF vê indícios de participação de dirigentes do BRB nas operações.
O caso também envolve o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que chegou a ser preso em novembro do ano passado durante a Operação Compliance Zero, mas foi solto dias depois. Recentemente, uma nova fase da operação foi deflagrada para aprofundar as apurações sobre fraudes financeiras ligadas ao banco, explorando, segundo a autoridade, “vulnerabilidades do mercado de capitais”.
Vorcaro, em depoimento vazado, reconheceu que o Banco Master enfrentava crises de liquidez e utilizava o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como estratégia de negócios. Os investigadores apontam que o grupo, incluindo Vorcaro, parentes e pessoas ligadas ao Master, pode ter cometido crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro.