Guerra de Tarifas Globais: Equador, Colômbia, Índia e México Seguem Trump e Aumentam Impostos de Importação

Guerra de Tarifas Globais: Equador, Colômbia, Índia e México Seguem Trump e Aumentam Impostos de Importação

Resumo

Países aderem à onda de protecionismo comercial, inspirados pela política de tarifas de Donald Trump.

Desde que Donald Trump retornou à Casa Branca, há pouco mais de um ano, os Estados Unidos têm imposto tarifas de importação contra uma vasta gama de países. Essa abordagem agressiva no comércio internacional parece ter servido de inspiração para outras nações, que agora iniciam suas próprias batalhas tarifárias.

Ainda que a política de Trump tenha gerado debates acirrados, a tendência de aumento de tarifas e medidas protecionistas se espalha pelo globo. Diversos países estão optando por taxar importações, visando proteger suas economias e indústrias locais, em um cenário que desafia as regras estabelecidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Esses movimentos indicam uma possível reconfiguração das relações comerciais globais, com um foco crescente em acordos bilaterais e na defesa de interesses nacionais. Acompanhe os desdobramentos dessa crescente guerra de tarifas que afeta o comércio internacional, conforme informações divulgadas em veículos de comunicação.

Equador e Colômbia em Confronto Tarifário

A mais recente escalada ocorreu entre Equador e Colômbia. Na última quarta-feira, o presidente equatoriano, Daniel Noboa, anunciou a imposição de uma tarifa de 30% sobre as importações colombianas. A justificativa apresentada foi a suposta falta de cooperação da Colômbia nas ações de combate ao narcotráfico. Em resposta, o governo de Gustavo Petro suspendeu a venda de energia elétrica ao Equador e retaliou com uma tarifa de mesma porcentagem sobre mais de 50 produtos equatorianos.

Índia Impulsiona o “Make in India” com Tarifas Maiores

Na Índia, o governo do primeiro-ministro Narendra Modi decidiu elevar a taxa básica de alfândega para a importação de telas planas de 10% para 20%. Esta medida faz parte do programa “Make in India”, lançado em 2014 com o objetivo de estimular a produção local e atrair investimentos para o país. A intenção é tornar a Índia um polo de fabricação, reduzindo a dependência de produtos estrangeiros.

México Adota Tarifas Estratégicas Contra Importações

No início do ano, o México implementou uma nova política tarifária, aplicando taxas que variam de 5% a 50% sobre 1.463 linhas de produtos importados de países com os quais não possui acordos comerciais. Entre os principais alvos estão produtos originários da China, Rússia e Brasil. Essa ação é vista por especialistas, como Josilmar Cordenonssi, professor de ciências econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como uma resposta à pressão dos Estados Unidos para que o México alinhe suas tarifas às impostas por Washington, evitando que o país se beneficie importando produtos mais baratos para reexportar aos EUA.

China e África do Sul Também Entram na Disputa

A China, um dos principais alvos das tarifas americanas, também tem mostrado suas armas. No final do ano passado, Pequim impôs uma tarifa de 55% sobre importações de carne bovina que excedessem novos limites de cota. Anteriormente, já havia anunciado tarifas de até 42,7% sobre laticínios da União Europeia, alegando subsídios injustos e retaliando sobretaxas europeias sobre veículos elétricos chineses. Mais recentemente, a África do Sul estuda a imposição de tarifas de até 50% sobre veículos da China e da Índia, seus parceiros nos Brics, para proteger sua indústria automotiva.

Especialista Alerta para o Fim do Livre Comércio

Josilmar Cordenonssi avalia que o cenário atual reflete um enfraquecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC). “Praticamente não existe mais lei de comércio internacional, regras, princípios”, afirma. Ele alerta para um momento preocupante de diminuição do livre comércio, aumento do protecionismo e recuo do dinamismo no mercado internacional. Cordenonssi sugere que potências médias, como o Brasil, deveriam buscar a revitalização da OMC e acordos comerciais fora do eixo China-EUA, como os pactos União Europeia-Mercosul, sem cair na tentação do protecionismo.

“Esse é o caminho que tem que seguir”, pondera o analista. “Pode ter países que vão cair na tentação populista de se fechar, ter ganhos políticos de curto prazo, mas [devem] perder a corrida no médio e longo prazo. Você ter uma população e uma economia mais fechadas significa que elas vão ser menos produtivas e mais pobres”.

Tags:

Notícias todos os dias!

De domingo a domingo, as notícias que você não pode perder em seu e-mail.

Veja também