Defesa de Filipe Martins busca comprovação em cartório sobre acessos ao LinkedIn
Os advogados de Filipe Martins, ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, tomaram uma medida incomum para tentar comprovar a inocência de seu cliente. Eles registraram uma **ata notarial** em um cartório de Ponta Grossa (PR) para atestar que Martins não acessou sua conta no LinkedIn após setembro de 2024.
A iniciativa visa contestar a informação de um suposto acesso à rede social que teria embasado a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de decretar a prisão preventiva de Martins. A defesa argumenta que os acessos subsequentes foram realizados com o objetivo de coletar provas para o próprio processo.
A ata notarial, um documento público com fé pública lavrado por um tabelião, tem o objetivo de **atestar a cadeia de custódia dos dados** extraídos do celular de Filipe Martins, confirmando a origem e a autenticidade das informações do perfil na rede social profissional. A informação foi divulgada inicialmente pela Folha de S. Paulo e confirmada pela defesa à Gazeta do Povo.
Procuradoria Geral da República já havia questionado a prova anterior
Anteriormente, a defesa já havia apresentado dados de acesso ao LinkedIn para contestar a prisão. No entanto, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, considerou que a prova apresentada **”não oferece idoneidade suficiente para afastar o fato exposto no documento comprobatório de uso da rede social.”**
Com a ata notarial, a estratégia da defesa é reforçar a validade das evidências. A ideia é demonstrar que o registro de acesso ao LinkedIn, que serviu de base para a prisão, não foi realizado por Filipe Martins em desacordo com determinações judiciais, mas sim para fins de investigação defensiva.
Filipe Martins é acusado de participar de plano para golpe de Estado
Filipe Martins é acusado de envolvimento em um **suposto plano de golpe de Estado** que teria como objetivo manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após a derrota eleitoral para o atual presidente, Lula. Segundo a denúncia, a participação de Martins teria se concentrado na elaboração de um documento conhecido como **”minuta do golpe”**, uma minuta de decreto que visava instaurar um regime de exceção no país.
A defesa de Filipe Martins **sempre negou veementemente** qualquer participação na redação ou aperfeiçoamento de tal documento. Eles insistem que o cliente não descumpriu nenhuma ordem judicial e questionam a ausência de um ofício do ministro Alexandre de Moraes à Microsoft, empresa dona do LinkedIn, para verificar os acessos.
Defesa cobra ofício de Moraes à Microsoft e critica ausência de diligências
Em um vídeo divulgado nesta terça-feira (27), o advogado Jeffrey Chiquini criticou a **falta de diligências por parte do STF**, especificamente a ausência de um ofício à Microsoft para confirmar os detalhes dos acessos à rede social. Chiquini esclareceu que o último acesso registrado em setembro de 2024 foi realizado pela própria defesa para coletar provas, e o acesso posterior, em 4 de janeiro de 2026, teria sido feito justamente para solicitar o relatório de acessos.
A defesa busca, com a ata notarial, **garantir a validade e a autenticidade das provas** que já apresentou e que pretende apresentar, reforçando a tese de que Filipe Martins agiu dentro da legalidade e com o objetivo de defender seus direitos e esclarecer os fatos no âmbito da investigação.