PF abre inquérito para apurar ataques de influenciadores ao Banco Central impulsionados pelo Banco Master
A Polícia Federal iniciou um inquérito para investigar denúncias de que influenciadores digitais teriam sido contatados por representantes do Banco Master. O objetivo seria disseminar narrativas negativas sobre o Banco Central, especialmente após a liquidação extrajudicial da instituição financeira em novembro de 2023.
A investigação busca determinar se houve uma ação coordenada para minar a credibilidade do órgão regulador e influenciar a reversão da decisão de intervenção. As apurações preliminares já identificaram indícios de crimes e levantam suspeitas sobre uma ofensiva organizada contra a autoridade monetária.
A abertura do inquérito foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e baseia-se em depoimentos e provas documentais que apontam para um esquema apelidado de “Projeto DV”, em referência às iniciais de Daniel Vorcaro, banqueiro preso na Operação Compliance Zero. Conforme informações divulgadas, a apuração inicial de postagens já indicou indícios de crimes.
Esquema “Projeto DV” visava descredibilizar intervenção do Banco Central
Produtores de conteúdo relataram ter sido abordados com propostas para divulgar a tese de que a liquidação do Banco Master teria sido “precipitada”. A Polícia Federal apura o envolvimento de pelo menos 46 perfis que teriam sido acionados para **atacar o Banco Central** com o argumento de erro técnico, numa tentativa de pressionar as instituições de controle.
Fontes ligadas à investigação indicam que uma agência de publicidade, supostamente ligada a campanhas do Banco Master, estaria por trás dos contatos com os influenciadores. O plano envolveria a produção de vídeos para reforçar decisões judiciais favoráveis ao banco e levantar dúvidas sobre a atuação do Banco Central, conforme apurado pela reportagem.
Influenciadores relatam propostas milionárias e cláusulas de confidencialidade
O caso veio à tona após os influenciadores Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite denunciarem propostas para defender o Banco Master nas redes sociais. Segundo apurações, os contratos com influenciadores poderiam chegar a **R$ 2 milhões**, com cláusulas de confidencialidade e multas elevadas por quebra de sigilo, chegando a R$ 800 mil, conforme revelado pelo jornal O Globo.
As denúncias sugerem que os ataques buscavam influenciar a opinião pública, insinuando que a liquidação seria uma articulação política da esquerda e do “Centrão”. O objetivo final seria tentar reverter a medida no Tribunal de Contas da União (TCU), uma hipótese já descartada pela própria corte.
Febraban também teria sido alvo de campanha coordenada
Além do Banco Central, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também teria sido alvo da campanha. Em nota, a entidade confirmou ter percebido um “volume atípico” de menções ao caso e informou que está avaliando internamente se houve um **ataque coordenado** contra suas atividades ou percepção pública.
A investigação da Polícia Federal segue em andamento, buscando reunir mais evidências sobre a extensão e os responsáveis pela suposta campanha orquestrada para descredibilizar o Banco Central e outras instituições financeiras. A atuação do Banco Master e de seus representantes está sob escrutínio.