Costa Rica vota em meio à crise de segurança e expansão do narcotráfico
Eleitores da Costa Rica vão às urnas neste domingo para escolher o novo presidente, em um cenário de profunda preocupação. A crescente onda de violência e a expansão do narcotráfico se tornaram os temas centrais do pleito, pressionando os 19 candidatos a apresentar soluções firmes.
A segurança se tornou o principal tema da eleição, impulsionada por dados alarmantes. A Costa Rica, antes vista como um refúgio de tranquilidade na América Latina, vive uma crise de segurança sem precedentes.
O país registrou um disparo em sua taxa de homicídios, alcançando 16,6 por 100 mil habitantes, a terceira maior da América Central. As apreensões de cocaína dobraram em 2025 em comparação com o ano anterior, e escândalos envolvendo cartéis transnacionais e a prisão de um ex-ministro por narcotráfico abalaram a confiança da população. Conforme informação divulgada pelo g1, o cenário atual pressiona os candidatos a apresentar propostas concretas para combater o crime.
Laura Fernández lidera com propostas de linha-dura
Laura Fernández, candidata do governo e ex-ministra do presidente Rodrigo Chaves, desponta como favorita nas pesquisas. Com uma postura firme, ela propõe o fortalecimento da polícia, a expansão do uso de scanners em portos e fronteiras, e uma maior cooperação com agências internacionais, como a DEA dos Estados Unidos.
Sua proposta mais controversa é a implementação de estados de exceção em áreas consideradas críticas para o combate ao crime. Essa medida drástica permite ao governo suspender temporariamente algumas garantias e liberdades civis, como o direito de reunião e a inviolabilidade do domicílio, em locais específicos.
O objetivo é facilitar operações policiais de grande escala para capturar criminosos em zonas de alta violência, uma estratégia que ganhou notoriedade ao ser amplamente utilizada em El Salvador no combate às gangues. A proposta de Fernández busca replicar um modelo de enfrentamento direto ao crime organizado.
Alternativas de segurança: tecnologia e prevenção
O centrista Álvaro Ramos foca suas propostas na tecnologia. Ele defende a criação de um laboratório de balística para rastrear armas, a contratação de 6 mil policiais e o uso de “contêineres inteligentes” com selos eletrônicos para impedir o tráfico.
Já Claudia Dobles, da oposição de esquerda, rejeita a ideia do estado de exceção. Sua plataforma prioriza a prevenção, com investimentos em educação e inteligência policial. O objetivo é evitar que jovens sejam aliciados pelo crime organizado.
Pesquisas indicam favoritismo, mas indecisos podem mudar o jogo
A última pesquisa eleitoral aponta uma liderança considerável para a candidata governista, Laura Fernández, com 44% das intenções de voto. Seus principais adversários, Álvaro Ramos e Claudia Dobles, aparecem distantes, com cerca de 9% cada um.
No entanto, o alto número de eleitores indecisos, que chega a 26%, ainda representa um fator de incerteza. Esse grupo pode influenciar significativamente o resultado da votação, que definirá o presidente da Costa Rica para o mandato de 2026 a 2030.