Governos Criam Divisão e Gastos Excessivos: O Preço da Cooptação Política no Brasil
Os últimos 15 anos no Brasil foram marcados por uma estratégia governamental de **dividir para conquistar**. Governos do PT, MDB e PL, segundo análise de Samuel Hanan, engenheiro e especialista em macroeconomia, apostaram em dicotomias sociais como pobres contra ricos e esquerda contra direita. O objetivo seria alimentar a polarização para garantir a fidelização do voto e facilitar a reeleição.
Essa tática, que Hanan descreve em seus livros “Brasil, um país à deriva” e “Caminhos para um país sem rumo”, teria se mostrado eficaz para a construção de narrativas políticas. No entanto, a busca por governabilidade em um Congresso fragmentado resultou em alianças frágeis e fisiológicas, caracterizando o que ele chama de “governo de cooptação”, um modelo vigente desde 1997.
Essa prática, conforme a análise, levou a uma **expansão descontrolada da máquina pública**. A criação de inúmeros cargos e ministérios, além de secretarias e agências, resultou em um aumento expressivo nos gastos públicos. Essa expansão, de acordo com Hanan, enterrou o teto de gastos e gerou desrespeito aos limites orçamentários em diversas áreas, de viagens a cartões corporativos.
Gastos Públicos no Brasil: Um Peso Insustentável para o PIB
O custo do funcionalismo público no Brasil atingiu patamares alarmantes. Atualmente, os gastos representam **13,1% do Produto Interno Bruto (PIB)**, um percentual significativamente superior à média de 9,8% observada nos 38 países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Essa diferença, equivalente a 3,3 pontos percentuais do PIB, soma R$ 410 bilhões anuais, evidenciando um descompasso entre o tamanho do Estado e a capacidade econômica do país.
Corrupção e Falta de Planejamento: Desperdício Bilionário de Recursos
Somam-se a esse cenário de **gastos elevados a falta de um plano de governo claro e a persistência da corrupção**. Especialistas estimam que o desperdício com corrupção no Brasil alcance pelo menos 3% do PIB, o que representa R$ 372 bilhões anuais. Samuel Hanan relembra a frase do humorista Jô Soares sobre a impunidade no país, destacando a gravidade do problema.
A consequência direta dessa gestão é um **quadro dramático de empobrecimento** para grande parte da população. A baixa renda domiciliar per capita, a precariedade nos serviços de educação e saúde, a insegurança pública agravada pelo crime organizado e a ausência de uma distribuição de renda eficaz criam abismos sociais profundos.
A Estratégia das “Muletas” Governamentais e a Negligência com os Ricos
Hanan compara a situação brasileira à visão do consultor financeiro Harry Browne, que descreveu o governo como alguém que quebra as pernas de um cidadão para depois oferecer uma muleta, fazendo-o crer que precisa do Estado para andar. No Brasil, essas “muletas” se materializam em programas sociais como o Bolsa Família, BPC, Auxílio Gás e Farmácia Popular, que consomem entre R$ 220 e R$ 240 bilhões anuais, cerca de 2% do PIB.
Contudo, o governo, ao se apresentar como defensor dos pobres, ignora as “muletas” oferecidas aos ricos: as **renúncias fiscais**. Esses gastos tributários, que deveriam ser limitados a 2% do PIB pela Emenda Constitucional nº 109/2021, já correspondem a 5% ou 6% do PIB, totalizando R$ 600 bilhões anuais. Esse valor é quase três vezes superior ao destinado aos programas sociais para os mais necessitados.
O discurso oficial de que os ricos não gostam de pagar impostos é questionado por Hanan, visto que a arrecadação bate recordes e novos impostos são criados. No entanto, as renúncias fiscais só crescem, especialmente no atual governo, aumentando em 3 pontos percentuais e desrespeitando a limitação constitucional.
O Governo como Procurador Infiel do Povo
Em países democráticos, os governos são escolhidos para arrecadar tributos e devolver o valor em forma de serviços essenciais e de qualidade. No Brasil, essa premissa não se concretiza. Apesar de ser a 10ª maior economia mundial, o país figura na 30ª e última posição no ranking de qualidade de serviços essenciais entre as nações com alta carga tributária, segundo o IBPT.
A análise de Samuel Hanan conclui que o governo brasileiro se consolida, a cada dia, como um **procurador infiel do povo**, falhando em sua missão de representar os interesses da população e oferecer os serviços públicos de qualidade que a alta carga tributária deveria garantir. A falta de transparência e a manipulação de narrativas mascaram um cenário de desperdício e má gestão de recursos públicos.