Ex-condenados do Mensalão e Lava Jato: José Dirceu, Delúbio Soares e outros Petistas planejam retorno à política em 2026

Ex-condenados do Mensalão e Lava Jato: José Dirceu, Delúbio Soares e outros Petistas planejam retorno à política em 2026

Resumo

Petistas condenados em grandes escândalos preparam volta à política em 2026, com apoio de Lula

Figuras centrais do PT, marcadas por condenações nos escândalos do Mensalão e da Lava Jato, articulam um retorno à vida pública nas eleições de 2026. José Dirceu, João Paulo Cunha, Delúbio Soares e André Vargas, todos ex-parlamentares e ex-ministros, buscam retomar seus assentos em Brasília através do voto popular.

Esses petistas, que cumpriram penas em regime fechado e foram beneficiados por indultos ou anulações de processos, recebem apoio do presidente Lula. O objetivo é expandir a bancada de esquerda no Congresso Nacional, fortalecendo a base aliada do governo federal em sua disputa com a direita.

A estratégia do PT inclui o lançamento de ministros de alto escalão e a mobilização de lideranças históricas, mesmo com os históricos casos de corrupção associados a seus nomes. Essa movimentação visa contrabalançar o avanço da direita conservadora, que também representa um desafio para a reeleição de Lula. Conforme informações divulgadas, o retorno desses nomes históricos visa fortalecer o campo político democrático e popular.

José Dirceu: Do centro do poder à mira da Justiça e de volta à cena política

José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil no governo Lula, figura central nas investigações do Mensalão e da Lava Jato, confirmou sua pré-candidatura a deputado federal por São Paulo. Dirceu teve seu mandato cassado em 2005 após acusações de envolvimento no esquema de compra de votos. Foi condenado em 2013 e, posteriormente, preso novamente em 2015 pela Lava Jato, com penas que somaram mais de 30 anos.

Em 2024, o ministro Gilmar Mendes, do STF, anulou os atos processuais contra Dirceu conduzidos por Sergio Moro. Aos 79 anos, com a “ficha limpa” após as anulações, Dirceu tem se posicionado ativamente nas redes sociais, criticando o atual governo paulista. Sua assessoria confirmou à Gazeta do Povo a intenção de concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Delúbio Soares: O ex-tesoureiro do PT e seu retorno após perdão da pena

Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e peça-chave no Mensalão, também se lança como pré-candidato a deputado federal por Goiás. Ele foi condenado a mais de seis anos pelo esquema de pagamentos a parlamentares, conhecido como “Valerioduto”. Soares cumpriu parte da pena e foi beneficiado por prisão domiciliar e, posteriormente, pelo perdão integral da pena em 2016.

Assim como Dirceu, seus processos na Lava Jato foram anulados pelo STJ em 2023. Em outubro do ano passado, durante um evento do partido em Goiás, Delúbio anunciou sua disposição em disputar as eleições de 2026. “Estou colocando meu nome à disposição do meu partido”, declarou, buscando apoio para a vitória nas urnas.

João Paulo Cunha: Do comando da Câmara ao convite de Lula para voltar à política

João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados durante o primeiro mandato de Lula, também se prepara para um retorno político. Convidado pessoalmente pelo presidente Lula em um evento em Osasco, berço eleitoral do petista, Cunha aceitou o chamado para disputar uma vaga de deputado federal em 2026.

“João Paulo, você trate de voltar para a política”, disse Lula em julho passado. Cunha, que atuava como advogado em Brasília, afirmou que o momento do país exige responsabilidade e gente preparada para reconstruir caminhos. Ele foi beneficiado pelo perdão da pena em 2016, concedido pela então presidente Dilma Rousseff. Sua volta visa fortalecer a base aliada de Lula e a região que o elegeu.

André Vargas: Condenado na Lava Jato, ex-deputado alega prisão ilegal e busca reeleição

André Vargas, primeiro parlamentar condenado pela Lava Jato, confirmou sua pré-candidatura para as eleições de outubro. O ex-deputado federal, que chegou a ocupar a vice-presidência da Câmara, foi preso em 2015 e condenado a quase 25 anos por corrupção e lavagem de dinheiro. Vargas teve suas condenações anuladas pelo STF entre 2022 e 2023.

Ele afirma que a operação foi “mais política do que jurídica” e que sua prisão, que durou 42 meses, foi ilegal. Vargas alega ter sofrido pressão para delatar, com o objetivo de atingir Lula e o PT. “Sofri todo tipo de pressão para fazer a delação, objetivo real da prisão, mas resisti, pois o que queriam era que eu confirmasse invenções mentirosas para atingir o Lula e o PT”, declarou à Gazeta do Povo. Ele retorna ao PT para reforçar a bancada democrática e popular em um Congresso considerado conservador.

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