Irã se rearmando secretamente: Mísseis e programa nuclear avançam em locais subterrâneos enquanto guerra arrefece

Irã se rearmando secretamente: Mísseis e programa nuclear avançam em locais subterrâneos enquanto guerra arrefece

Resumo

Irã intensifica produção de mísseis e avança em complexo nuclear em meio à relativa trégua na guerra

Apesar de um cessar-fogo acordado em abril entre Estados Unidos e Irã, que diminuiu a intensidade dos confrontos, o regime iraniano parece estar aproveitando a calmaria para se rearmar significativamente. Relatórios recentes apontam para a retomada da produção de mísseis balísticos e o avanço em um complexo nuclear subterrâneo, estratégias que preocupam autoridades americanas e de países do Oriente Médio.

Essas atividades ocorrem em instalações subterrâneas, projetadas para dificultar ataques externos. A produção inclui mísseis de propelente líquido e sólido, aumentando a capacidade de dissuasão do país. A informação foi divulgada pelo The Wall Street Journal, citando fontes de inteligência.

Paralelamente, o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) divulgou um relatório detalhando movimentações incomuns em uma montanha conhecida como Pickaxe, que abriga um complexo nuclear iraniano. A atividade sugere uma transição da fase de escavação para a de construção interna e reforço externo, dificultando a destruição da instalação.

Retomada da produção de mísseis em instalações subterrâneas

Segundo o The Wall Street Journal, o Irã retomou a produção de mísseis balísticos utilizando componentes em estoque e operando em instalações subterrâneas. O complexo de mísseis de Khojir, no sudeste do país, é um dos locais onde essa atividade está ocorrendo. A estratégia visa dificultar ataques de rivais, como os Estados Unidos.

Tal Inbar, analista sênior da Missile Defense Advocacy Alliance, comentou ao WSJ que a ausência de bombardeios permite a substituição de infraestrutura danificada e a aquisição e armazenamento de novos componentes. Ele ressaltou que seria ingênuo pensar que o Irã não estaria reconstruindo suas capacidades de produção de mísseis.

Um desafio para o Irã, no entanto, é que ataques a instalações industriais e o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos dificultam a importação de peças. Isso força o regime a montar novos mísseis a partir de componentes estocados e em quantidades menores do que antes do conflito.

Avanço em complexo nuclear subterrâneo gera alerta

O relatório do CSIS destacou uma intensa movimentação na montanha Pickaxe, na região central do Irã, onde se localiza um complexo nuclear. Imagens de satélite e de aeronaves indicam uma transição de fase, saindo da escavação ativa para a construção interna e reforço externo. Este complexo está localizado próximo à instalação de enriquecimento de urânio de Natanz.

As características do complexo de Pickaxe, escavado em granito sólido a cerca de 100 metros de profundidade, dificultariam sua destruição, mesmo com o uso de bombas potentes como a GBU-57. O CSIS ressalta que essas instalações subterrâneas são projetadas para resistir a ataques.

Declarações oficiais e preocupações internacionais

Em agosto, o porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, afirmou que o país havia reconstruído seus sistemas de armas, incluindo aqueles danificados, e importado novos. Ele mencionou que os novos sistemas vieram da indústria de defesa nacional e do exterior, ampliando as capacidades de combate iranianas.

Embora Akraminia não tenha especificado os países de origem das importações, relatos indicam apoio militar da Rússia e da China ao Irã desde o início da guerra. Essa movimentação tem gerado preocupação nos Estados Unidos e em Israel.

Advertências de Trump e Netanyahu

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou sobre a atividade em Pickaxe, aconselhando o Irã a não tentar nenhuma ação equivocada, sob pena de uma resposta forte. Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, confirmou que o Irã tenta reconstruir sua capacidade de desenvolver armas nucleares, reiterando seu compromisso em impedir que o país obtenha tais armas.

A alegação de que o Irã estava perto de obter armas nucleares foi um dos motivos para o início da guerra. A redução do programa de mísseis iranianos também era um objetivo da ofensiva.

Resiliência e apoio externo como fatores-chave

O coronel da reserva e analista militar Paulo Roberto da Silva Gomes Filho avaliou que a resiliência da capacidade de mísseis do Irã tem sido maior do que o esperado pelos americanos. Ele citou os recentes ataques à base americana na Jordânia como prova disso, pois exigiram o uso de mísseis Patriot para a defesa antiaérea.

Gomes Filho também destacou que o apoio da Rússia, com fornecimento de imagens de satélite e inteligência para a designação de alvos, incluindo bases americanas, explicaria em grande parte a resiliência iraniana. Isso sugere que, apesar das alegações de Trump sobre o enfraquecimento militar do regime, a ameaça persiste.

O analista acredita que o Irã se preparou longamente para essa guerra, evidenciado pela manutenção de estoques e uma cadeia de comando descentralizada. Essa estrutura permite a continuidade das ações mesmo diante da eliminação de lideranças e meios de comunicação, comando e controle.

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