Haddad sugere economista de esquerda para vaga no Banco Central; nome ainda será sabatinado no Senado
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma sugestão para preencher uma das cadeiras vazias no Conselho Diretor do Banco Central. O nome em questão é o de Guilherme Mello, que atualmente ocupa o cargo de Secretário de Política Econômica no Ministério da Fazenda.
A indicação de Mello, considerado um dos articuladores da política econômica do governo, representa um movimento importante para a composição da autoridade monetária. Sua aprovação final, no entanto, dependerá de um processo de sabatina e votação no Senado Federal.
A escolha de Mello, conhecido por defender a redução da taxa básica de juros, ganha destaque em um momento em que o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva. Conforme divulgado pelas fontes, a expectativa é de que um ciclo de cortes comece em março, mas a decisão foi tomada com apenas sete dos nove diretores em exercício.
Guilherme Mello: Perfil e Propostas Econômicas
Guilherme Mello, de 42 anos, é associado à corrente dos economistas estruturalistas. Essa linha de pensamento, ligada à esquerda, defende uma maior participação do Estado na economia, com foco em investimentos públicos para impulsionar a produção e corrigir desequilíbrios entre oferta e demanda. A perspectiva é que a intervenção estatal seja vista como um complemento, e não um substituto, à política monetária no controle da inflação.
Vagas Abertas no Banco Central e Histórico de Indicações
O Conselho Diretor do Banco Central é composto por nove membros e, atualmente, conta com apenas sete integrantes. As duas vagas disponíveis surgiram com o término dos mandatos dos ex-diretores Diogo Guillen e Renato Gomes no final de 2025. O atual presidente do colegiado é Gabriel Galípolo. Esta não é a primeira vez que o presidente Lula acolhe sugestões de Haddad para cargos na autoridade monetária. Gabriel Galípolo, por exemplo, foi indicado ao BC em 2023 e posteriormente escolhido para presidir a instituição, tendo sido secretário-executivo da Fazenda sob a gestão de Haddad.
A Decisão da Taxa Selic e o Impacto das Vagas em Aberto
Na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a taxa Selic em 15% ao ano, pela quinta reunião seguida. O comunicado da decisão indicou a possibilidade de início de um ciclo de cortes de juros no próximo encontro, em março. No entanto, a participação de apenas sete diretores na votação, devido às vagas em aberto, é um ponto de atenção para o mercado financeiro e para a condução da política monetária.
O Processo de Aprovação no Senado
A indicação de Guilherme Mello para o Conselho Diretor do Banco Central ainda precisa passar pelo crivo do Senado Federal. O processo envolve uma sabatina, onde o indicado apresenta suas propostas e é questionado sobre sua visão econômica e técnica, seguida de uma votação para aprovação. A expectativa é que o nome de Mello passe por uma análise detalhada pelos senadores, considerando sua linha de pensamento econômico.