Operação Coordenada: PF Investiga Ataque Digital Orquestrado Contra o Banco Central
A recente abertura de inquérito pela Polícia Federal para apurar uma atuação coordenada de ao menos 46 perfis suspeitos em redes sociais ganhou contornos mais graves com as declarações do vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS). Ele alega ter recusado um convite para integrar o chamado “Projeto DV”, articulado por agências de marketing digital com o objetivo de deslegitimar a decisão do Banco Central (BC) de liquidar o Banco Master.
Gabriel, com quase dois milhões de seguidores no Instagram e pré-candidato a deputado federal, detalhou que a operação visava veicular uma narrativa de que a liquidação do banco teria sido precipitada. Os contratos oferecidos, segundo ele, poderiam chegar a R$ 2 milhões, com o intuito de alcançar 36 milhões de seguidores.
A estratégia envolvia a divulgação de reportagens que questionavam a atuação do BC, buscando embasar a tese de precipitação na decisão de intervir no Banco Master. A denúncia do vereador expõe uma rede complexa, que, segundo suas palavras, “o Master juntou do PCC ao STF”, indicando ramificações que iriam desde o crime organizado até altas esferas do poder. Conforme informação divulgada pelo vereador, a Polícia Federal abriu inquérito para apurar o ataque orquestrado contra o Banco Central e favorável ao Banco Master.
O “Projeto DV” e a Proposta de Influenciadores
O vereador Rony Gabriel relatou ter sido procurado em dezembro para integrar o “Projeto DV”, referindo-se ao banqueiro Daniel Vorcaro. A proposta envolvia a criação de conteúdo para atacar o Banco Central após a liquidação do Banco Master. Gabriel afirma que os influenciadores recebiam orientações para sustentar a tese de que a medida do BC foi precipitada, utilizando como base reportagens específicas, como uma veiculada pelo portal Metrópoles.
Ele revelou que, apesar de ter recusado o convite e exposto publicamente o esquema, não sofreu a sanção de R$ 800 mil prevista em contrato por quebra de confidencialidade. No entanto, aqueles que aderiram à negociação continuam a criticá-lo em seus canais, alegando que ele não apresentou o contrato assinado por eles, o mesmo que lhe foi oferecido. Gabriel garante possuir provas do que foi proposto e dos links dos vídeos enviados como amostras do trabalho.
Ramificações e Conflitos de Interesse no Caso Master
A denúncia de Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite, sobre suas recusas em participar do ataque digital coordenado ao BC, ocorreu em um momento considerado decisivo. Segundo Gabriel, isso impediu que o escândalo do Banco Master perdesse destaque e deu impulso ao tema quando ele começava a ser ofuscado por outras notícias.
O caso trouxe à tona questões sobre conflitos de interesse do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e decisões consideradas atípicas em sua relatoria. Ficou evidente, de acordo com o vereador, um viés não técnico e planejado na busca por pareceres do Tribunal de Contas da União (TCU) para fortalecer a narrativa de falha do BC.
Gabriel expressa o desejo de que a Polícia Federal tenha plena autonomia para investigar e torce para que o STF remeta o inquérito principal para a primeira instância, o que, em sua opinião, aumentaria o nível de transparência. Ele espera que os advogados tenham acesso a todos os elementos de prova do inquérito principal, que está sob sigilo autorizado pelo ministro Dias Toffoli.
A Rede de Influência e o Papel da Imprensa
O vereador descreve o esquema envolvendo o Banco Master como uma rede permanente de influência, sustentada por vínculos formais como salários, honorários e contratos terceirizados, que garantiam acesso privilegiado junto ao Estado. Ele contrapõe este modelo ao mensalão, onde propinas eram pagas para assegurar apoio no Congresso.
Gabriel aponta que a crise gerada pelo caso Master interferiu em grandes grupos financeiros, ameaçados pela perda de credibilidade das autoridades reguladoras. A percepção de risco a partir de decisões judiciais mobilizou atores importantes, criando uma divisão e levando parte da imprensa a questionar o ativismo judicial, algo que, segundo ele, era ignorado anteriormente.
Ele acredita que o escândalo financeiro mudou a percepção geral sobre corrupção, com o noticiário se voltando para situações críticas como desvios no INSS e as operações de Vorcaro, em vez de focar em casos menores ou em desvios de governos anteriores. A impressão de Gabriel é que diversos esquemas corruptos estão ocorrendo simultaneamente e sendo descobertos aos poucos, prevendo que “uma hora tudo vai desmoronar”.
Comparação com Nikolas Ferreira e Modelo Digital
Rony Gabriel reconhece as semelhanças com o deputado Nikolas Ferreira, como a trajetória, a formação em Direito, a origem evangélica e a forte visibilidade nas redes sociais. Ele admira Nikolas e considera a comparação inevitável, mas destaca suas próprias características, como vir de uma cidade do interior e ter um estilo mais espontâneo.
Diferentemente de outros políticos de direita que ganham exposição com vídeos curtos e editados, Gabriel opta por análises longas sobre assuntos nacionais. Ele vê isso como uma forma de angariar seguidores fiéis e construir uma grande rede, indo na contramão do algoritmo. Suas análises mais extensas atraem o interesse de quem busca aprofundamento, resultando em um crescimento orgânico e espontâneo.