Daniel de Freitas (PL-SC) aciona órgão interno da Câmara contra colega por disseminação de imagem manipulada.
O cenário político brasileiro foi agitado nesta segunda-feira (2) com a notícia de que o deputado federal Daniel de Freitas (PL-SC) formalizou uma denúncia no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. O alvo da representação é o deputado Rogério Correia (PT-MG), por conta de uma publicação que utilizou inteligência artificial para criar uma montagem.
A imagem em questão buscava unir o ex-presidente Jair Bolsonaro ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e também incluía o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A publicação gerou reações imediatas e foi removida pelo parlamentar petista.
Segundo a representação, a intenção seria criar uma falsa narrativa de proximidade entre Bolsonaro e Vorcaro, o que, de acordo com Freitas, não condiz com a realidade. A ação visa a aplicação de sanções disciplinares, consideradas proporcionais à gravidade da conduta, que, na visão do denunciante, macula a imagem do parlamento e a confiança pública. Conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo, o espaço segue aberto para manifestação de Rogério Correia.
Conteúdo da postagem e repercussão
Na publicação original, que já foi apagada, Rogério Correia escreveu que a imagem de Vorcaro, Bolsonaro e Campos Neto era o “retrato da roubalheira do Banco Master”. Ele ainda fez menção a uma possível prisão, utilizando a expressão “Papudinha vai ficar pequena para tanto cidadão de bem!”.
O Banco Master teve sua liquidação decretada pelo Banco Central do Brasil devido a insuficiência financeira. Executivos da instituição estão sob investigação por suspeitas de emitirem Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) sem lastro real, o que configuraria fraude ao sistema bancário. A situação levanta questionamentos sobre a fiscalização e a integridade do mercado financeiro.
Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente e ex-vereador carioca, reagiu à publicação de Correia questionando o que ele chamou de “acusações sem provar nada”. Ele citou o que considera um padrão de “abertura de inquérito sobre fake news, buscas e apreensões, Polícia Federal revirando a casa dos outros, cassação de mandato, prisão, ameaças institucionais democráticas” quando opositores são acusados sem provas concretas.
Ausência de ligações apontadas e envolvimento de estatal
É importante notar que, até o momento, nem o Banco Central nem a Polícia Federal indicaram a existência de ligações diretas entre Daniel Vorcaro e Jair Bolsonaro. Da mesma forma, falhas na fiscalização do Banco Master durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central não foram apontadas pelas instituições.
Contudo, um elemento que surge na investigação é o envolvimento de uma estatal, o Banco de Brasília (BRB). A instituição chegou a adquirir cédulas de crédito do Banco Master. O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi posteriormente afastado de suas funções por decisão judicial, adicionando mais uma camada de complexidade ao caso.