Escola de Samba Tatuapé Destaca MST com Verba Pública em Enredo”>Plantar para Colher
A escola de samba Acadêmicos do Tatuapé apresentará um samba-enredo em homenagem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) durante o Carnaval de São Paulo. A agremiação, como as demais do Grupo Especial, conta com um significativo patrocínio da prefeitura, totalizando quase R$ 3 milhões.
O enredo, intitulado “Plantar para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra”, tem como objetivo central defender a tese de que as ações do MST transcendem a mera invasão de terras. A proposta busca evidenciar outras facetas do movimento.
A diretora de Carnaval da escola, Patrícia Lafalce, explicou que a intenção é levar para o Anhembi a “força da produção camponesa, da agricultura sem veneno e sem destruição ambiental”, demonstrando a amplitude das atividades do MST. Conforme divulgado pelo site do MST, Lafalce ressaltou que a escola deseja mostrar que o grupo “vai muito além da ocupação de terras”.
Causas Sociais no Palco do Carnaval
Eduardo Santos, presidente do Grêmio Recreativo Escola de Samba (GRES) Acadêmicos do Tatuapé, destacou que a escolha do tema está alinhada com a trajetória da escola em abordar “causas sociais”. Ele relembrou que em 2025, a agremiação abordou a temática da Justiça, conquistando o vice-campeonato. O último título da Tatuapé, uma das mais tradicionais de São Paulo, foi em 2018.
Santos afirmou que a escolha do enredo anual considera diversos fatores, como “força visual, potência musical, impacto cultural e, principalmente, nas parcerias que conseguimos consolidar”. A parceria com o MST é evidenciada pelo logotipo do movimento no site oficial da escola, ao lado dos patrocinadores.
Investimento Público no Carnaval Paulista
A Prefeitura de São Paulo é a principal fonte de subsídio para as escolas de samba. Cada uma das 14 agremiações do Grupo Especial recebe um repasse de R$ 2,76 milhões em 2026, de acordo com informações do portal Metrópoles. O investimento total da prefeitura no Carnaval atinge quase R$ 70 milhões.
Em comparação, o Rio de Janeiro destina R$ 52 milhões às suas agremiações, e a Embratur contribui com R$ 12 milhões para as escolas do Grupo Especial que desfilam na Sapucaí. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) justificou o aporte nas escolas, afirmando que o Carnaval de São Paulo é o “maior do país”, apesar de ter cortado R$ 12 milhões da verba destinada aos blocos de rua.
MST Busca Ampliar Percepção Pública Através da Arte
A iniciativa da Acadêmicos do Tatuapé, com apoio financeiro público, visa **ampliar a percepção sobre o MST**, indo além das manchetes frequentemente associadas à **invasão de terras**. A escola pretende destacar a **produção agrícola sustentável** e a **luta por direitos sociais** no contexto do carnaval.
A escolha do tema reflete um movimento crescente de artistas e instituições em utilizar plataformas culturais para debater questões sociais relevantes. O **Carnaval de São Paulo**, com seu alcance massivo, torna-se um palco importante para essa disseminação de ideias e visões sobre movimentos sociais como o MST.