Rússia reitera apoio ao Brasil para Conselho de Segurança da ONU em meio a discussões sobre reforma global
A 8ª Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação, realizada em Brasília, foi palco para a Rússia reafirmar seu apoio à candidatura do Brasil para uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. No entanto, esta é a terceira vez desde 2022 que a promessa é feita, e Moscou ainda não apresentou medidas concretas para sua concretização, gerando um certo ceticismo diplomático.
A promessa consta em uma declaração conjunta divulgada ao final do encontro, que reuniu autoridades de alto escalão de ambos os países. O documento reforça a defesa do multilateralismo e do papel central das Nações Unidas, além do compromisso com o direito internacional e a Carta da ONU. As informações são da fonte original do conteúdo.
A reunião contou com a presença do primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, e foi recebida pelo vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, e pelo chanceler Mauro Vieira. A delegação russa, composta por ministros e representantes de alto escalão, sublinhou o caráter estratégico do encontro para a cooperação bilateral em diversas áreas.
Reforma do Conselho de Segurança da ONU em pauta
A declaração conjunta entre Brasil e Rússia enfatiza a necessidade de mudanças estruturais no sistema internacional. Ambos os países concordam que é “imperativo avançar na reforma do Conselho de Segurança da ONU”. O objetivo é tornar o órgão mais representativo do mundo multipolar, incluindo nações em desenvolvimento da América Latina, Ásia e África.
Nesse contexto, a Rússia reiterou seu apoio formal ao Brasil como “forte e natural candidato” a uma vaga permanente em um Conselho de Segurança reformado. Essa posição é historicamente defendida pela diplomacia brasileira, mas enfrenta resistências dos atuais membros permanentes do conselho.
Multilateralismo em foco, críticas implícitas aos EUA
A ênfase na defesa do multilateralismo e no fortalecimento das Nações Unidas pode ser interpretada como uma crítica indireta a iniciativas que buscam esvaziar ou contornar o organismo. Embora não tenha havido menção direta a Washington, a postura de Brasil e Rússia sinaliza resistência a movimentos que questionam a governança multilateral em um momento de incertezas vindas da Casa Branca.
A visita de Mishustin ao Brasil marca a retomada formal da comissão bilateral, suspensa desde 2015 e adiada devido à invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. A guerra na Ucrânia, contudo, não foi mencionada oficialmente durante a reunião, embora ambos os países tenham reforçado o compromisso com a solução pacífica de controvérsias e a não intervenção, princípios da Carta da ONU.
Cooperação econômica e comercial avança
No âmbito econômico, o primeiro-ministro russo destacou o Brasil como o principal parceiro da Rússia na América Latina. Mishustin afirmou que a cooperação bilateral “avança de forma constante, com novos projetos mutuamente benéficos em várias áreas”, apesar das sanções ocidentais contra o governo russo.
O comércio bilateral é impulsionado principalmente pelas exportações brasileiras de carne e café, enquanto a Rússia fornece cerca de 25% dos fertilizantes importados pelo Brasil. Mishustin ressaltou que essa relação é estratégica e “contribui para a segurança alimentar”, especialmente para o agronegócio brasileiro, que depende significativamente desses insumos russos.
Interesse em ampliar investimentos e parcerias
Geraldo Alckmin demonstrou interesse na ampliação de investimentos russos no Brasil, com foco em setores como química, fertilizantes, energia, equipamentos industriais e infraestrutura. Paralelamente, defendeu uma maior presença de empresas brasileiras no mercado russo em áreas como alimentos processados, dispositivos médicos, tecnologia agrícola e soluções industriais.
A Rússia busca se manter como principal fornecedor de fertilizantes para o Brasil, um ponto estratégico para a segurança alimentar do país. Embora o assunto não tenha sido abordado publicamente durante o evento, a relação comercial entre as duas nações demonstra a importância de manter canais de diálogo abertos para o benefício mútuo.