Lula critica soltura de Bolsonaro e compara ex-presidente a “cachorro louco”
Em declarações contundentes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a soltura do ex-presidente Jair Bolsonaro seria um ato que “desmoralizaria” o Supremo Tribunal Federal (STF). Lula comparou Bolsonaro a um “cachorro louco”, sugerindo que libertá-lo após sua condenação por tentativa de golpe de Estado seria perigoso.
“Se você tiver um cachorro louco preso e soltar, ele vai ficar mais manso? Ele vai morder alguém”, declarou o presidente em entrevista à TV Aratu, da Bahia. Lula reiterou que Bolsonaro tentou “destruir a democracia brasileira” e que, segundo sua visão, planejava atentados contra ele, Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
As falas de Lula ocorrem em um momento de debate sobre a redução de penas para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. O presidente vetou um projeto de lei que visava diminuir essas punições, argumentando que isso seria um desrespeito à justiça e poderia beneficiar diretamente o ex-presidente. Conforme informação divulgada pelo portal G1, Lula reforçou a necessidade de manter Bolsonaro preso.
Lula veta projeto que poderia beneficiar Bolsonaro
O presidente Lula vetou um projeto de lei que propunha a redução das penas para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. A medida, aprovada no fim do ano passado, poderia ter beneficiado o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena por determinação do STF. Lula argumentou que aprovar uma lei para diminuir penas logo após condenações seria um “brincar de fazer julgamento”.
“Eu fiz o meu papel, vetei porque não concordo. Esse cidadão [Bolsonaro] tem que ficar preso”, enfatizou Lula. Ele acrescentou que, embora uma anistia futura possa ocorrer, como aconteceu após 1964, não se pode “brincar de fazer julgamento” e que a soltura de Bolsonaro “desmoralizaria a seriedade da Suprema Corte”.
Haddad acusa governo Bolsonaro de “estupro das contas públicas”
Em paralelo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também criticou a gestão anterior. Durante evento em Salvador (BA), Haddad descreveu as finanças públicas deixadas pelo governo Bolsonaro em 2022 como um “estupro das contas públicas”. Ele refutou a narrativa de que o governo anterior teria deixado um superávit primário positivo.
Segundo Haddad, o superávit de R$ 54,1 bilhões em 2022 foi artificial e fruto de manobras como a aprovação da PEC dos Precatórios. “A forma como isso aconteceu foi a mais ardilosa já vista na história do Brasil”, afirmou o ministro. Ele contrastou essa situação com o déficit de R$ 230,5 bilhões registrado em 2023 pelo governo Lula, parte do qual se destinou ao pagamento de precatórios de anos anteriores.
Críticas à “maquiagem contábil” do governo anterior
O ministro Haddad detalhou que a oposição tem utilizado o superávit de 2022 como argumento para criticar a política econômica do atual governo, acusando Lula de gerar “enormes déficits primários”. “Nós não tiramos proveito de explicar o que herdamos do governo anterior porque, se se falava de maquiagem contábil, o que aconteceu de 2022 para 2023 é uma espécie de estupro das contas públicas. Uma coisa alucinada que aconteceu”, ressaltou.