Novo presidente do BRB anuncia corte de custos e reestruturação para estancar prejuízos bilionários, mas garante que banco não será privatizado
Nelson Antônio de Souza, o novo presidente do Banco de Brasília (BRB), já sinalizou que a instituição financeira deverá passar por um significativo processo de enxugamento para lidar com o grave problema de caixa. A crise foi intensificada pelo envolvimento do banco com o Banco Master, resultando em perdas substanciais que podem chegar a R$ 5 bilhões.
Apesar da necessidade de ajustes drásticos, Souza descartou veementemente qualquer possibilidade de privatização ou mesmo de federalização do BRB durante sua gestão. A prioridade, segundo o novo comandante, é garantir a solidez da operação, mesmo que isso implique em uma redução de sua estrutura.
Conforme informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, o presidente afirmou em entrevista que, se o prédio precisar diminuir de tamanho, ele o fará, visando a construção de uma instituição mais forte e estável. A recuperação da imagem e das finanças do BRB são os principais desafios de sua administração.
Plano de Recuperação e Venda de Carteiras
O BRB entregou ao Banco Central, na última sexta-feira (6), um detalhado plano de recuperação. Este plano é considerado a peça central na contenção da crise que se instalou após a liquidação do Banco Master e o consequente afastamento judicial de seu antigo presidente, Paulo Henrique Costa.
Entre as medidas propostas, destacam-se a venda de carteiras próprias do banco e um recuo estratégico no seu âmbito de atuação. Nos últimos anos, o BRB expandiu suas operações para todo o território nacional, e agora se cogita uma redução desse alcance.
Empréstimo do FGC e Investimentos Problemáticos
Outra pretensão importante do plano de recuperação envolve a obtenção de um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Curiosamente, o FGC é o mesmo fundo responsável por ressarcir os investidores do Banco Master após a sua liquidação, evidenciando a complexidade da situação.
Durante a gestão de Paulo Henrique Costa, o BRB realizou investimentos vultosos, totalizando R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master. Contudo, apurou-se que essas carteiras eram, na verdade, compostas por ativos sem valor real, o que gerou um prejuízo significativo para a estatal.
Histórico do Novo Presidente
Nelson Antônio de Souza foi indicado pelo governador Ibaneis Rocha e teve sua aprovação confirmada pelo Banco Central. Seu currículo inclui passagens importantes pela administração pública. Ele já ocupou a presidência da Caixa Econômica Federal durante o governo de Michel Temer.
Além disso, Souza foi presidente do Banco do Nordeste (BNB) no período da gestão de Dilma Rousseff e também participou do governo de São Paulo, sob a administração de João Doria, onde esteve à frente do banco Desenvolve SP.
Desafios de Recuperação e Prejuízo Estimado
Formado em Psicologia e Letras, o novo presidente do BRB assume com a dupla missão de sanar a crise financeira e restaurar a imagem da estatal. O prejuízo decorrente do envolvimento com o Banco Master pode atingir a marca de R$ 5 bilhões, segundo uma estimativa apresentada pelo diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino. A recuperação do BRB será um processo desafiador, que exigirá a execução rigorosa do plano de ação e a reconstrução da confiança no mercado.