Argentina: Senado Aprova Reforma Trabalhista de Milei em Votação Histórica com Protestos nas Ruas

Argentina: Senado Aprova Reforma Trabalhista de Milei em Votação Histórica com Protestos nas Ruas

Resumo

Senado Argentino Aprova Reforma Trabalhista de Javier Milei em Votação Acirrada

Após mais de 16 horas de intensos debates, o Senado da Argentina deu um passo significativo na madrugada desta quinta-feira (12), aprovando o projeto de reforma trabalhista proposto pelo presidente Javier Milei. A medida, que visa modificar as condições de trabalho em um país historicamente marcado por alta sindicalização, agora segue para a Câmara dos Deputados.

A aprovação ocorreu com 42 votos a favor, 30 contra e nenhuma abstenção, demonstrando a polarização em torno da iniciativa. O partido governista busca, com este projeto, consolidar sua primeira grande vitória legislativa na área trabalhista, após tentativas anteriores que não obtiveram sucesso nas últimas décadas.

A reforma trabalhista, que compreende 213 artigos, introduz mudanças cruciais como a **flexibilização de contratos**, a **redução de indenizações por demissão** e a **facilitação dos processos de desligamento** de funcionários. Conforme apurado pelo portal argentino Infobae, o texto legislativo sofreu alterações de última hora, incluindo a retirada de um artigo sobre alívio fiscal para grandes empresas e a manutenção das contribuições obrigatórias para sindicatos e câmaras de comércio.

Mudanças e Concessões na Reforma Trabalhista

Entre as concessões feitas pelo governo para obter a aprovação, destaca-se a manutenção das contribuições obrigatórias, um ponto sensível para os sindicatos. Além disso, o partido de Milei conseguiu incluir, como anexo à lei, a transferência dos tribunais trabalhistas para a Cidade de Buenos Aires, uma questão que gerou considerável controvérsia entre os senadores durante as discussões.

A secretária-geral da presidência e irmã do presidente, Karina Milei, e o chefe de Gabinete de Ministros, Manuel Adorni, figuras de extrema confiança de Javier Milei, acompanharam a votação diretamente do Senado, evidenciando a importância estratégica da aprovação para o governo.

Imediatamente após a votação, o próprio presidente Javier Milei celebrou o resultado nas redes sociais, postando em sua conta na plataforma X (anteriormente Twitter): “Histórico, VLLC (Viva la llbertad, carajo)”, uma referência direta ao slogan de sua campanha presidencial. O governo argentino espera que o projeto de reforma trabalhista supere todos os obstáculos legislativos antes de 1º de março, data em que se inicia o período ordinário do Congresso e Milei fará seu discurso à nação.

Apoio Político e Protestos Simultâneos

A aprovação no Senado representa a primeira conquista significativa do partido A Liberdade Avança (LLA) no Congresso em 2026. O avanço é visto como um reflexo do bom desempenho eleitoral obtido nas eleições legislativas de outubro do ano passado, quando a LLA aumentou consideravelmente sua representação em ambas as casas do Congresso. O projeto contou com o apoio da União Cívica Radical (UCR), do Proposta Republicana (PRO) – sob a liderança do ex-presidente Mauricio Macri – e de blocos federais, garantindo o quórum necessário para o início da sessão.

O projeto chegou à Câmara Alta após intensas negociações entre o governo e os governadores provinciais, cujos representantes parlamentares demonstraram apoio à medida. No entanto, a aprovação no Senado ocorreu em paralelo a fortes manifestações. Durante a tarde de quarta-feira, a Praça do Congresso em Buenos Aires e suas ruas adjacentes foram palco de confrontos entre manifestantes contrários à reforma e as forças de segurança, resultando em diversos feridos e detidos, evidenciando a profunda divisão social gerada pela proposta.

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