Corte Italiana Nega Testemunhas de Carla Zambelli em Caso de Extradição, Defesa Alega Violação de Direitos

Corte Italiana Nega Testemunhas de Carla Zambelli em Caso de Extradição, Defesa Alega Violação de Direitos

Resumo

Defesa de Carla Zambelli aponta restrições severas em processo de extradição na Itália

A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli denunciou que o processo de extradição em curso na Itália tem apresentado “severas restrições ao exercício pleno do contraditório e da ampla defesa”. A principal alegação da equipe jurídica é o indeferimento de todas as testemunhas solicitadas pela defesa, o que, segundo eles, viola garantias constitucionais.

O advogado Fábio Pagnozzi, integrante da defesa, ressaltou que a negativa em ouvir testemunhas cruciais para o caso, como Eduardo Tagliaferro, compromete o direito fundamental de defesa. Conforme apurado, os pedidos foram negados sob a alegação de irrelevância.

A defesa argumenta que essa postura contraria o artigo 24 da Constituição da República Italiana, que assegura o direito inviolável de buscar a tutela de direitos e interesses legítimos em juízo. Essa informação foi enviada à Gazeta do Povo.

Eduardo Tagliaferro: Testemunha Chave Negada

A expectativa da defesa era que Eduardo Tagliaferro, ex-assessor especial de enfrentamento à desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e crítico de Alexandre de Moraes, pudesse depor sobre uma suposta perseguição política. A intenção era demonstrar que o julgamento no Brasil possuía motivação política.

Tagliaferro, após deixar o cargo no TSE, tem acusado o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de perseguir politicamente a direita. A defesa acreditava que seu testemunho seria fundamental para convencer os magistrados italianos.

Prisão Preventiva e Protagonismo da AGU em Xeque

Outro ponto levantado pela defesa diz respeito à prisão preventiva de Zambelli. Pagnozzi salientou que, mesmo com os passaportes apreendidos, a ex-deputada foi levada a uma penitenciária. Ele argumenta que, tanto no Brasil quanto na Itália, a prisão preventiva só se justifica em caso de risco de fuga, o que, segundo ele, não existia.

A defesa também criticou o que considerou um “protagonismo excessivo” do representante da Advocacia-Geral da União (AGU), Gentiloni Silveri. O argumento é que, em processos de extradição, o país solicitante não deve ter uma função acusatória direta.

Contestação da Cidadania Italiana e Pedido de Troca de Juízes

O Ministério Público, por meio do procurador Erminio Amelio, contestou a dupla cidadania de Zambelli, afirmando que sua cidadania italiana seria “apenas uma fachada” e um “escudo”. A defesa rebateu, defendendo que a cidadania italiana reconhecida confere plenas condições jurídicas, independentemente de residência, e não pode ser relativizada em um processo de extradição.

Diante das supostas violações, a equipe de advogados solicitou a troca de juízes, pedido que foi negado, mas que a defesa pretende recorrer. A decisão final sobre a extradição de Carla Zambelli está prevista para ocorrer na Corte de Apelação de Roma em até cinco dias.

A Gazeta do Povo informou que buscou contato com a AGU e o Ministério da Justiça italiano para manifestação.

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