Teia Toffoli-Vorcaro: Telefonemas, Festas e Pagamentos em Destaque pela PF

Teia Toffoli-Vorcaro: Telefonemas, Festas e Pagamentos em Destaque pela PF

Resumo

PF Revela Conexões Entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro: Telefonemas, Convite para Festa e Pagamentos em Destaque

A Polícia Federal apresentou um relatório detalhado com cerca de 200 páginas que aprofunda a investigação sobre as ligações entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e o banqueiro Daniel Vorcaro. Novas descobertas, como telefonemas diretos, um convite pessoal para uma festa de aniversário e conversas que mencionam pagamentos cifrados, adicionam camadas à complexa teia que une as figuras públicas.

Esses elementos somam-se a informações já conhecidas, como uma viagem de jatinho ao Peru em companhia de um advogado ligado ao Banco Master e as dificuldades impostas por Toffoli às investigações da PF. As novas evidências não apenas colocam em xeque a imparcialidade do ministro no caso Master, que o levou a se afastar do julgamento, mas também podem configurar indícios de possíveis crimes.

Em resposta às alegações, Dias Toffoli nega veementemente ter recebido dinheiro ilícito e afirma não possuir qualquer relação de intimidade com Daniel Vorcaro ou seus familiares. Contudo, para especialistas, como o advogado constitucionalista Adriano Soares da Costa, os indícios são suficientes para uma análise profunda sobre a permanência de Toffoli no STF e para a abertura de um processo de avaliação. Conforme informações divulgadas pela imprensa, a República brasileira enfrenta uma situação sem precedentes, com possíveis caminhos como um processo de impeachment no Senado ou uma atuação interna do próprio tribunal.

1. Ligações Diretas e Convite para Aniversário: Sinais de Proximidade Pessoal

O cerne das novas descobertas da Polícia Federal reside na análise de seis celulares apreendidos de Daniel Vorcaro. Dentre os dados extraídos, foram identificados registros de ligações diretas de aparelhos de Vorcaro para o telefone de Dias Toffoli. Embora as conversas em si não tenham sido monitoradas por falta de ordem judicial, a existência desses contatos diretos é um ponto relevante.

Um elemento que chamou a atenção dos investigadores foi um convite pessoal enviado por Dias Toffoli a Daniel Vorcaro para uma festa de aniversário. Este episódio é interpretado como um indicativo de proximidade pessoal, extrapolando uma eventual relação meramente institucional. Relatos de testemunhas sobre visitas passadas de Toffoli a Vorcaro também corroboram essa linha de investigação.

Em sua defesa, Dias Toffoli classificou as informações apuradas pela PF como “ilações” e declarou, em nota oficial, que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”.

2. Conversas Cifradas Mencionam Pagamentos a Toffoli

O relatório da Polícia Federal também desvendou, nos aparelhos eletrônicos de Vorcaro, conversas cifradas entre o banqueiro e terceiras pessoas que detalham pagamentos feitos pelo grupo do banqueiro ao ministro do STF. Registros envolvendo o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também foram identificados nesse contexto.

Diante da divulgação dessas informações, o gabinete de Dias Toffoli emitiu um comunicado afirmando que “o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”. A nota também detalha a participação societária de Toffoli na empresa Maridt Participações, que teve sua participação no resort Tayayá vendida ao Fundo Arllen, de Zettel.

Apesar das negativas, fontes ligadas à investigação indicam que há menções a pagamentos, embora ainda não tenha sido apurado se tais pagamentos ocorreram efetivamente e quais seriam os valores envolvidos.

3. Sociedade em Resort e Venda de Participações ao Cunhado de Vorcaro

Em meio à polêmica, Dias Toffoli confirmou publicamente, em nota, ser sócio da Maridt Participações. A empresa familiar detinha participação no resort Tayayá, que posteriormente foi vendida ao Fundo Arllen, de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. A venda da participação da Maridt no empreendimento ocorreu em duas etapas, em setembro de 2021 e fevereiro de 2025.

Toffoli ressaltou que a Maridt sempre declarou sua participação societária e recebeu apenas dividendos legais, com todas as declarações anuais aprovadas pela Receita Federal. Ele também esclareceu que a Maridt já não pertencia ao grupo Tayaya Ribeirão Claro quando ele assumiu a relatoria do caso Master em novembro de 2025, ou seja, após a venda das participações.

A segunda venda da participação no resort foi realizada para a PHD Holding, empresa ligada ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que atua para a JBS.

4. Frequência no Resort e Posterior Afastamento Durante Investigações da PF

Apesar de a Maridt ter vendido sua última participação no resort Tayayá em fevereiro de 2025, Dias Toffoli continuou frequentando o local com regularidade até pelo menos agosto do mesmo ano. Registros oficiais de diárias de seguranças que acompanharam o ministro indicam que ele passou cerca de 100 dias no resort entre dezembro de 2022 e agosto de 2025.

Curiosamente, o ministro não voltou a frequentar o Resort Tayayá com seguranças após as operações da Polícia Federal, como a Carbono Oculto em agosto de 2025 e a Compliance Zero em novembro do mesmo ano, que apertaram o cerco ao Banco Master. Relatos de reportagens indicam que o resort operava um cassino e era chamado por funcionários de “o resort do Toffoli”.

5. Condução do Caso Master Gerou Atritos com a PF

A condução do caso Master por Dias Toffoli no STF gerou uma série de atritos com a Polícia Federal, levantando dúvidas sobre sua imparcialidade. Toffoli assumiu a relatoria após um pedido da defesa de Daniel Vorcaro, que alegava menção ao deputado João Carlos Bacelar.

Durante o processo, Toffoli centralizou a custódia de provas e oitivas no STF, determinou acareações antes de depoimentos e elaborou perguntas próprias aos investigados, procedimentos considerados atípicos pela investigação. Ele também restringiu o acesso da PF a materiais apreendidos, permitindo posteriormente a atuação do Ministério Público Federal e perícias com equipes limitadas.

A redução de prazos para depoimentos e a solicitação de novo cronograma de diligências foram vistas pela corporação como medidas insuficientes diante da complexidade do caso, contribuindo para a crise que culminou na desistência de Toffoli da relatoria.

6. Viagem ao Peru com Advogado Ligado ao Banco Master

Em um episódio adicional, no mesmo dia em que determinou o sigilo da investigação, Dias Toffoli viajou ao Peru em uma aeronave de um empresário e de um advogado ligado ao Banco Master para assistir à final da Copa Libertadores da América. O advogado em questão defende um diretor investigado no caso.

Esta viagem ocorreu poucos dias antes de Toffoli impor sigilo máximo ao processo que tramita no STF envolvendo Daniel Vorcaro, retirando informações do acesso público. Sobre a viagem, Toffoli teria afirmado a interlocutores que é amigo do empresário dono da aeronave, mas nega proximidade com o advogado.

Nota do Gabinete de Toffoli na Íntegra

O gabinete do Ministro Dias Toffoli divulgou uma nota detalhada sobre as descobertas da Polícia Federal a partir da quebra da criptografia dos celulares apreendidos do banqueiro Daniel Vorcaro. Na nota, afirma-se que a Maridt é uma empresa familiar, constituída como sociedade anônima de capital fechado, com declarações anuais devidamente aprovadas pela Receita Federal. O Ministro Dias Toffoli integra o quadro societário, mas a administração é feita por parentes, em conformidade com a Lei Orgânica da Magistratura, que permite a magistrados integrar o quadro societário e receber dividendos, vedando a prática de atos de gestão.

A nota reitera que a Maridt encerrou sua participação no grupo Tayaya Ribeirão Claro em fevereiro de 2025, através de duas operações de venda, a primeira ao Fundo Arllen em setembro de 2021, e a segunda à PHD Holding em fevereiro de 2025. Todas as transações foram devidamente declaradas à Receita Federal e realizadas dentro do valor de mercado. O gabinete enfatiza que a ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli em novembro de 2025, após a Maridt já não pertencer ao grupo Tayaya. Por fim, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen e reitera não ter qualquer relação de amizade com Daniel Vorcaro, nem ter recebido qualquer valor do banqueiro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.

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