Investigação Master: Relatório sobre Toffoli e Vorcaro e Provas Digitais Levam PF a Suspender Depoimentos de Ex-Sócios

Investigação Master: Relatório sobre Toffoli e Vorcaro e Provas Digitais Levam PF a Suspender Depoimentos de Ex-Sócios

Resumo

Operação Compliance Zero: Polícia Federal suspende depoimentos de ex-sócios do Banco Master após avanço nas investigações e surgimento de nomes influentes.

A Polícia Federal (PF) decidiu suspender novos depoimentos de ex-sócios do Banco Master, incluindo o CEO Daniel Vorcaro. A medida, tomada no fim de janeiro, está diretamente ligada ao relatório entregue ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Este documento aponta para uma possível conexão entre o ministro Dias Toffoli, que atuava como relator do caso Master no STF, e Daniel Vorcaro, com evidências de contatos formais entre ambos.

A suspensão ocorreu poucas semanas após a segunda fase da Operação Compliance Zero. Nessa etapa, a PF obteve acesso a dados extraídos de aparelhos eletrônicos apreendidos nas fases anteriores da operação. A análise desses dados indicou indícios de contatos entre Vorcaro e o ministro, o que gerou expectativas entre os investigadores sobre possíveis questionamentos acerca de conexões com autoridades. Essa perspectiva teria levado as defesas dos investigados a adotarem uma estratégia de silêncio, alegando falta de acesso a todas as provas.

Conforme informações de fontes ligadas às investigações, a decisão de suspender os depoimentos foi motivada pela necessidade de reavaliar o caso diante das novas evidências e da complexidade crescente. A PF busca garantir que todas as provas sejam devidamente analisadas e que os direitos de defesa sejam plenamente respeitados, antes de prosseguir com novas oitivas. Conforme apurado, o avanço das análises técnicas e a extração de dados de celulares apreendidos revelaram conexões antes negadas por Vorcaro. Parte desse material ainda está sob cruzamento de dados envolvendo interlocuções sensíveis, o que eleva a complexidade do caso.

Defesas alegam falta de acesso a provas e optam pelo silêncio

Quando convocados para depor nos dias 27 e 28 de janeiro, as defesas dos investigados comunicaram à Polícia Federal que seus clientes exerceriam o direito constitucional de permanecer em silêncio. A principal alegação foi a de não terem tido acesso integral ao conteúdo das apurações, especialmente aos dados extraídos de celulares e documentos apreendidos. Essa postura das defesas foi um fator determinante para a suspensão das oitivas pela PF.

Operação Compliance Zero: apreensões e o volume de provas

A primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, resultou na apreensão de um celular pessoal de Daniel Vorcaro, cuja senha de acesso não foi fornecida pelo empresário. Já na segunda etapa, em janeiro, os investigadores recolheram cerca de 40 aparelhos eletrônicos, sendo que cinco deles foram atribuídos a Vorcaro. O volume expressivo de provas digitais ampliou significativamente o escopo da investigação.

Surgimento de nomes influentes e a complexidade do caso Master

A extração de novos dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos é considerada estratégica para o avanço do inquérito. Estes dados permitiram a identificação de indícios de contatos entre o empresário e autoridades, e o surgimento de nomes influentes na cena política, econômica e jurídica de Brasília. As defesas argumentaram que a falta de acesso completo às provas inviabilizaria o exercício pleno do direito de defesa, especialmente com a clareza de que figuras proeminentes estariam envolvidas nas investigações.

Única oitiva mantida e disposição de Vorcaro em depor no Senado

A única oitiva mantida no fim de janeiro foi a de Luiz Antônio Bull, ex-diretor de compliance do Banco Master, que prestou esclarecimentos em 27 de janeiro. O teor de seu depoimento, que durou cerca de uma hora, permanece sob sigilo. A rodada de interrogatórios visava aprofundar a apuração sobre supostas irregularidades na venda do Master ao BRB e as ligações políticas e jurídicas de Vorcaro, que poderiam oferecer blindagem em processos. Daniel Vorcaro, em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica desde o fim de novembro, manifestou ao Senado sua disposição em comparecer à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) em 24 de fevereiro para prestar esclarecimentos públicos sobre o caso Master. Um novo depoimento à PF ainda não foi agendado.

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