Polícia do RJ desarticula organização criminosa de furto de cabos que movimentou quase R$ 418 milhões
A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) deflagrou, nesta segunda-feira (23), a Operação Caminhos do Cobre, com o objetivo de desarticular uma complexa organização criminosa especializada no furto de cabos subterrâneos de cobre. A investigação aponta que o grupo arrecadou impressionantes R$ 418 milhões com a atividade ilegal.
O líder da organização teria movimentado sozinho cerca de R$ 97 milhões, evidenciando a magnitude do esquema. A operação não se restringe ao estado fluminense, com ramificações identificadas em São Paulo, Minas Gerais e Tocantins, demonstrando o alcance interestadual da atuação criminosa.
As investigações revelam um modus operandi audacioso, onde caminhões eram utilizados durante a madrugada para arrancar os cabos, com o auxílio de batedores que garantiam a vigilância do entorno. Após os furtos, o grupo emitia notas fiscais falsas como método para lavar o dinheiro obtido ilicitamente. A atuação ocorreu em municípios como Nilópolis, Mesquita e Itaguaí, além da capital. Conforme divulgado pela polícia, o objetivo central é “descapitalizar financeiramente os braços operacionais do tráfico, responsáveis por fomentar esse tipo de crime”.
Sequestro de Bens e Bloqueio de Ativos
A Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) solicitou à Justiça o sequestro de carros e imóveis pertencentes aos criminosos. Além disso, foi pedido o bloqueio de R$ 240 milhões em ativos financeiros, visando descapitalizar ainda mais a organização. Essa ação se soma a outras fiscalizações realizadas no final de 2024, que resultaram em 200 prisões em 430 ferros-velhos, combatendo o mesmo tipo de crime.
Combate ao Financiamento do Tráfico e Mudanças na Infraestrutura
O furto de cabos de cobre tem sido uma fonte significativa de financiamento para atividades ilícitas, incluindo o tráfico. Em abril, uma operação policial semelhante já havia descoberto um esquema de financiamento do Comando Vermelho ligado ao furto de cabos, com valor movimentado estimado em R$ 200 milhões. Em 2025, o governo federal sancionou uma lei que especificou o furto de fios e cabos, buscando aumentar a punição devido aos danos na infraestrutura de energia elétrica e internet.
O alto valor do cobre tem levado empresas a buscarem alternativas. A Enel, em São Paulo, por exemplo, já substituiu o cobre por alumínio em pelo menos 90% de sua rede. Essa mudança, contudo, exige uma estrutura mais robusta para os cabos de alumínio, o que representa um novo desafio logístico e financeiro para as empresas de infraestrutura.