Flávio Bolsonaro expande escopo da CPI do Banco Master, incluindo figuras chave do governo federal.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou um requerimento que visa **ampliar o objeto de investigação** de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master. A proposta original, feita pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), focava nos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas agora busca incluir o ministro da Fazenda, **Fernando Haddad**, e o ministro da Casa Civil, **Rui Costa**.
A iniciativa, segundo o documento apresentado, tem como objetivo principal **verificar circunstâncias de uma possível reunião realizada em dezembro de 2024**, que não teria sido registrada em agenda oficial. Além disso, o requerimento busca examinar **eventuais interações** entre as autoridades mencionadas e o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O foco da ampliação é investigar se esses contatos tiveram **reflexos na regularidade do exercício de funções públicas** ou na atuação de órgãos que regulam o sistema financeiro nacional. As informações foram divulgadas conforme o documento protocolado pelo senador, nesta terça-feira (10).
Suspeitas sobre Rui Costa e a gestão na Bahia
No caso do ministro Rui Costa, as suspeitas levantam questionamentos que vão além de reuniões envolvendo o presidente Lula. A investigação aponta para sua gestão no governo da Bahia, onde foi assinado um decreto que, na prática, concedeu **exclusividade ao Banco Master** em operações relacionadas ao programa CredCesta, um tipo de empréstimo consignado destinado a servidores estaduais.
Manobras políticas em torno da CPI e CPMI
O pedido de CPI original, de Alessandro Vieira, é visto por parte da oposição como uma possível **armadilha política**. O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) alega que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estaria **tentando impedir a instauração de uma Comissãao Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI)**. O nome de Alcolumbre aparece na lista de contatos de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
A diferença entre uma CPI e uma CPMI reside na forma como são pautadas. Uma CPMI não depende da aprovação do presidente do Congresso para chegar ao plenário, pois o regimento obriga a pauta na sessão conjunta seguinte ao protocolo. Jordy sugere que Alcolumbre estaria articulando para **barrar o avanço da comissão mista**, oferecendo-se para pautar o veto ao projeto de lei da dosimetria, abrindo margem para uma derrubada pela oposição.
Resistência na Câmara e ação no STF
Na Câmara dos Deputados, a resistência do presidente Arthur Lira (PP-AL) em pautar a instalação de um colegiado semelhante levou o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) a acionar o Supremo Tribunal Federal (STF). O caso caiu na relatoria do ministro Dias Toffoli, que já havia se afastado de um caso relacionado ao Banco Master após a revelação de conversas com Daniel Vorcaro.
Diante da situação, o ministro Dias Toffoli **se declarou suspeito para julgar o mandado de segurança** e devolveu o caso à Presidência do STF. Agora, um novo sorteio deverá ser realizado para definir o relator responsável por analisar a questão.