Maduro, Acusado de Narcotráfico nos EUA, Alega Falta de Dinheiro para Defesa, Apesar de Patrimônio Bilionário

Maduro, Acusado de Narcotráfico nos EUA, Alega Falta de Dinheiro para Defesa, Apesar de Patrimônio Bilionário

Resumo

Maduro e Flores alegam pobreza para custear defesa nos EUA em meio a acusações de narcotráfico

Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, afirmaram a um tribunal federal em Nova York que não possuem recursos financeiros para pagar por sua defesa legal. O casal, que enfrenta acusações de narcotráfico nos Estados Unidos, declarou-se disposto a apresentar provas de suas finanças, caso o juiz solicite, para reforçar seu pedido de anulação das acusações.

Os advogados de defesa apresentaram um documento ao juiz do caso, Alvin Hellerstein, argumentando que a procuradoria reconhece o direito de ambos em solicitar que o governo da Venezuela arque com os custos da defesa. Declarações juramentadas de Maduro e Flores foram incluídas, onde afirmam a impossibilidade de pagar pelos serviços advocatícios.

A declaração surge dias antes da próxima audiência do caso, marcada para 26 de outubro. Maduro e Flores foram detidos em Caracas e posteriormente compareceram a uma audiência em Nova York, onde se declararam inocentes das graves acusações. Conforme informação divulgada pela Transparência Venezuela, o casal responde por narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos.

Sanções dos EUA impedem pagamento da defesa

O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos (OFAC) não autorizou o governo venezuelano a pagar os honorários advocatícios. A defesa alega que essa restrição interfere diretamente no direito do casal de escolher sua própria equipe jurídica, violando a Sexta e a Quinta Emendas da Constituição dos EUA, que garantem o direito a uma defesa adequada e ao devido processo legal.

A OFAC impõe sanções econômicas à Venezuela desde 2015, visando pressionar por mudanças políticas. O governo americano não reconhece Maduro como presidente legítimo do país. A defesa também apontou que a OFAC já permitiu em outras ocasiões que terceiros sancionados pagassem por honorários legais de indivíduos também sob sanção.

Defesa pede arquivamento do caso por inconstitucionalidade

Os advogados de Nicolás Maduro e Cilia Flores solicitaram ao juiz Hellerstein o arquivamento das acusações, classificando o processo como “inconstitucionalmente defeituoso”. Argumentam que forçar os acusados a aceitar um defensor público, que não escolheram, não resolve a violação de seus direitos constitucionais fundamentais.

“O único remédio é o arquivamento, dado que este tribunal não pode permitir que o presente caso prossiga em violação dos direitos constitucionais do sr. Maduro e da sra. Flores”, declarou a defesa no documento. A equipe jurídica insiste que a recusa em permitir o pagamento pelos meios legais devidos impede a continuidade justa do processo.

Patrimônio bilionário em contraste com alegação de falta de recursos

Apesar das alegações de falta de recursos financeiros para a defesa, estimativas apontam que Nicolás Maduro possui um patrimônio bilionário. Um levantamento divulgado em agosto de 2025 pela ONG Transparência Venezuela indicou que o ex-ditador teria pelo menos 745 bens em 20 países, somando cerca de US$ 3,8 bilhões. A ONG enfatizou que essa fortuna foi formada com “dinheiro sujo, que roubou o bem-estar de todos os venezuelanos”.

A origem ilícita desses recursos, ligada à corrupção e ao tráfico de drogas, segundo a acusação nos EUA, dificulta o acesso de Maduro ao dinheiro. Além da apreensão de bens anunciada pelos Estados Unidos, a Suíça também ordenou o congelamento preventivo de bens detidos no país por Maduro e pessoas ligadas a ele.

Tags:

Notícias todos os dias!

De domingo a domingo, as notícias que você não pode perder em seu e-mail.

Veja também