Alckmin defende a democracia e questiona candidaturas que apoiam regimes autoritários
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP) fez uma declaração contundente nesta quinta-feira (2), durante um café da manhã com jornalistas. Ele afirmou que indivíduos que “apoiam ditadura” não deveriam sequer concorrer a cargos públicos. A fala ocorreu no evento que marcou sua despedida do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), pasta que acumulava com a vice-presidência.
Em suas palavras, Alckmin destacou a importância da democracia ao contrapor a regimes autoritários. “Democracia, nós salvamos a democracia, versus ditadura, autoritarismo. Nós, eu e o presidente Lula, salvamos a democracia. Aqueles que apoiam ditadura não deveriam nem ser candidato. Quem não acredita no povo, por que se candidatar?”, declarou o vice-presidente.
A declaração do vice-presidente surge em um contexto de intensificação da disputa eleitoral para as próximas eleições em outubro. Alckmin buscou, com suas palavras, se contrapor às candidaturas que se apresentam como alternativas ao atual governo federal, sugerindo que tais candidaturas não possuem legitimidade democrática.
Questionado sobre o crescimento de certos candidatos nas pesquisas de intenção de voto, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), Alckmin minimizou a preocupação, reiterando que a maioria das pesquisas aponta para a vitória do presidente Lula.
Alckmin e o contexto de viagens internacionais e alianças governamentais
Apesar da forte defesa da democracia, a fala de Alckmin levanta questionamentos sobre a aplicação de seus critérios. O vice-presidente não especificou a quais ditaduras se referia, se as do Brasil ou de outros países. É relevante notar que, em 2024, Alckmin participou da posse do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, onde foi visto próximo a Ismail Haniyeh, líder do Hamas, grupo considerado terrorista por diversos países.
Histórico de alianças do governo com regimes questionados
Adicionalmente, governos anteriores associados ao PT, partido do presidente Lula, historicamente mantiveram laços com regimes considerados ditatoriais, como os da Venezuela e de Cuba. A relação com a Venezuela, por exemplo, passou por tensões em agosto de 2024, após a divulgação de evidências de manipulação nas eleições presidenciais. Mesmo assim, Lula manteve uma posição crítica sem romper formalmente com o chavismo.
Posicionamento de Lula sobre a Venezuela em 2005
Em 2005, durante seu primeiro mandato, em Brasília, ao lado de Hugo Chávez, o presidente Lula reagiu a críticas internacionais sobre a situação na Venezuela, afirmando que o país vivia um “excesso de democracia”. Essa declaração contrasta com a postura atual de Alckmin, que agora critica o apoio a regimes ditatoriais.