Valdemar Costa Neto, presidente do PL, detalha a filiação de Sergio Moro ao partido, classificando-a como um “cálculo pragmático” essencial para a estratégia eleitoral da legenda. O dirigente admitiu ter mudado de opinião sobre o ex-juiz da Lava Jato devido à necessidade de capital político e votos para fortalecer a direita.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, abriu o jogo sobre a recente filiação do senador Sergio Moro ao partido. Em entrevista ao portal Metrópoles, Valdemar classificou a decisão como um “cálculo pragmático”, fundamental para as ambições eleitorais da legenda. Ele confessou ter mudado sua posição em relação a Moro.
A principal razão para essa mudança de postura, segundo o dirigente, é a necessidade de unir forças e garantir a maioria. Valdemar Costa Neto enfatizou que o partido precisa dos votos de Moro para ter força política e, assim, conseguir implementar suas propostas para o país.
“Mudei [de opinião]. Sabe por quê? Porque nós precisamos dos votos dele. Nós só vamos melhorar o país se nós tivermos maioria”, declarou Valdemar. Ele também mencionou que Moro afirmou a ele que “não vai ser juiz, vai ser governador”. A articulação com o ex-juiz ganhou força após o governador Ratinho Junior (PSD) anunciar, e depois desistir, de sua pré-candidatura à Presidência.
O Impacto da Desistência de Ratinho Junior
Valdemar Costa Neto explicou que a entrada de Moro no PL foi uma resposta estratégica ao movimento de Ratinho Junior. “O Ratinho chegou para nós e falou que ia sair candidato. Então, como é que nós íamos ficar no Paraná, se ele era candidato a presidente? Ele ia levar todos os votos do Paraná, não ia sobrar nada para nós”, disse o presidente do PL.
Com a desistência de Ratinho Junior da disputa presidencial, ocorrida no dia 23, o apoio a Sergio Moro se tornou crucial. Essa aliança garante ao senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) um palanque forte no Paraná para as eleições presidenciais, fortalecendo a candidatura de Bolsonaro.
Estratégia para a Vitória Eleitoral
O dirigente do PL está otimista com o potencial de Sergio Moro, descrevendo-o como uma “revelação” no cenário político atual. Valdemar acredita que Moro tem grandes chances de vencer a eleição para governador do Paraná ainda no primeiro turno. A meta é clara: garantir a vitória.
“Nós vamos ganhar a eleição, mas não com 10 milhões de votos na frente. Nós temos que tomar cuidado, porque na outra eleição nós perdemos na casca. E não vai ser fácil. O governo tem a máquina. Então, nós tivemos que apoiar Moro. Foi bom para nós”, ressaltou Valdemar Costa Neto.
Histórico de Divergências e Aproximação
A relação entre Valdemar Costa Neto e Sergio Moro nem sempre foi harmoniosa. Em 2024, o PL chegou a pedir a cassação de Moro no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) por suposto abuso de poder econômico na campanha de 2022. Na época, Moro era pré-candidato do Podemos à Presidência.
Moro, após se filiar ao União Brasil em março de 2022 e desistir da candidatura presidencial, optou por concorrer ao Senado pelo Paraná. O PL e o PT apresentaram ações contra ele, que foram julgadas em conjunto, mas Moro foi absolvido pelo TRE-PR e, posteriormente, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em janeiro de 2022, Moro chegou a afirmar que quem mandava no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) era Valdemar Costa Neto. Na ocasião, o senador criticou o que chamou de governo comandado pelo Centrão e por “políticos fisiológicos”, questionando a influência de pessoas com condenações criminais. “Alguém que foi condenado criminalmente por receber suborno mandando no presidente da República. Eu acho complicado”, disse Moro.
A Ajuda de Moro na CPI e a Nova Aliança
Apesar das divergências passadas, Valdemar Costa Neto revelou que a relação com Moro melhorou significativamente. Em entrevista ao SBT News, o presidente do PL contou que Sergio Moro o ajudou a evitar uma convocação na CPI do Crime Organizado no Senado.
“Antes de começar a reunião, o Moro [disse]: ‘Valdemar, você viu a sua convocação na CPI?’ Eu falei: ‘Que CPI?’ Do crime organizado. Ele falou: ‘Queriam te convocar. Não te convocamos, graças ao meu voto. Foi seis a cinco, viu, Valdemar’”, relatou o dirigente.
O requerimento para a convocação de Valdemar foi apresentado pelo senador Humberto Costa (PT-PE), citando doações de campanha de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado na Operação Compliance Zero. O pedido, no entanto, foi rejeitado pela CPI no dia 18 de março, com o voto decisivo de Moro.