Operação Banco Master: PF suspeita de vazamentos que frustraram prisões e apreensões

Operação Banco Master: PF suspeita de vazamentos que frustraram prisões e apreensões

Resumo

Polícia Federal investiga vazamentos na Operação Banco Master e suspeita de antecipação de informações sigilosas a alvos.

A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) estão empenhadas em apurar se informações de caráter sigiloso foram vazadas para investigados da Operação Compliance Zero, que mira o Banco Master. A suspeita de vazamentos ganhou força após uma série de ocorrências incomuns, que levantaram um grande sinal de alerta para os investigadores.

Essas situações atípicas incluem a tentativa de viagem internacional de Daniel Vorcaro, controlador do banco, e o esvaziamento de imóveis pouco antes das ações policiais. Tais eventos sugerem que os alvos podem ter sido avisados sobre as operações iminentes, comprometendo a eficácia das investigações e a coleta de provas essenciais.

A investigação sobre os possíveis vazamentos busca identificar a origem das falhas e garantir que a justiça seja feita, punindo os responsáveis e recuperando informações cruciais para o desfecho do caso. Conforme apurado pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo, os detalhes dessas suspeitas e as consequências para a operação são preocupantes.

Primeiras suspeitas surgiram com a prisão de Daniel Vorcaro em aeroporto

O primeiro indício de que algo estava errado ocorreu em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. Daniel Vorcaro foi detido no Aeroporto de Guarulhos enquanto se preparava para embarcar em um jato particular com destino aos Emirados Árabes Unidos. Para a polícia, o fato de ele estar prestes a deixar o país no exato momento em que a operação foi deflagrada é um forte indicativo de que ele pode ter sido alertado.

Segunda fase da operação foi seriamente comprometida por imóveis esvaziados

Em janeiro de 2026, a eficiência da operação sofreu um golpe ainda mais forte. Ao cumprirem mandados em imóveis de investigados, os policiais se depararam com locais completamente esvaziados, quartos desarrumados e a ausência de aparelhos eletrônicos, como celulares e computadores. Para agravar a situação, advogados dos investigados já se encontravam nos endereços antes mesmo da chegada das equipes policiais.

Essa antecipação dos advogados reforça a tese de que o sigilo operacional foi quebrado, permitindo que os investigados se preparassem para a chegada das autoridades. A perda de documentos físicos e dispositivos eletrônicos representa um obstáculo significativo na coleta de provas.

Mudanças no STF e o grupo ‘A Turma’ no centro das investigações

Em fevereiro de 2026, o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) após a divulgação de vínculos societários entre uma empresa de sua família e um resort que recebeu investimentos ligados a Vorcaro. O processo foi então redistribuído ao ministro André Mendonça, que autorizou a terceira etapa da investigação em março.

Paralelamente, os investigadores identificaram um grupo próximo a Vorcaro, apelidado de ‘A Turma’, que supostamente operava como uma estrutura paralela de inteligência. Este grupo é acusado de realizar monitoramento ilegal de autoridades e jornalistas críticos ao banco, além de utilizar acessos indevidos a bases de dados da Interpol e da Justiça Federal para pressionar e coagir testemunhas. A prioridade agora é descobrir se houve falhas institucionais ou a ação de agentes infiltrados que facilitaram o acesso a redes sigilosas.

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