Lula aponta governo Bolsonaro como origem de fraudes no Banco Master e aconselha Moraes sobre impedimento

Lula aponta governo Bolsonaro como origem de fraudes no Banco Master e aconselha Moraes sobre impedimento

Resumo

Lula responsabiliza governo Bolsonaro por escândalo do Banco Master e sugere que Alexandre de Moraes se declare impedido

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuiu ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a responsabilidade pelo início das supostas fraudes financeiras que teriam ocorrido no Banco Master. A investigação, que envolve o Banco de Brasília (BRB) e figuras proeminentes dos Três Poderes, tem revelado o envolvimento de parlamentares de diversas orientações políticas, pessoas próximas ao presidente e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Desde que o caso veio à tona no final do ano passado, a Polícia Federal tem ampliado as apurações. Lula questionou a ausência de menções ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, nas investigações jornalísticas, argumentando que o Banco Master teria crescido de forma fraudulenta durante a gestão de Campos Neto na autarquia.

“O Roberto Campos legalizou o Banco Master e todas as falcatruas que vêm na árvore genealógica do banco têm o governo Bolsonaro, o [Paulo] Guedes e os ministros deles”, declarou Lula em entrevista ao site ICL Notícias. Ele enfatizou que há uma “tentativa de esconder o verdadeiro, a serpente que pôs o ovo, o Roberto Campos”. Conforme informação divulgada pelo ICL Notícias, Lula tem sido um crítico de Campos Neto desde o início de seu terceiro mandato, acusando-o de manter a taxa básica de juros alta por motivos políticos.

Críticas à lentidão e comparações com caso pessoal

O presidente Lula também comentou a aparente lentidão nas investigações, contrastando com a rapidez com que seu próprio processo na Operação Lava Jato avançou. “A boca pequena você sabe qual é o deputado, o senador, a autoridade judiciária envolvidos nisso. Mas, parece que a coisa não anda”, afirmou. Ele relembrou que seu caso, que o levou a ser preso por 580 dias até o STF declarar a incompetência do então juiz Sergio Moro, “andou como se fosse um avião caça, porque era preciso colocar o Lula na cadeia para não disputar as eleições”.

Aconselhamento a Alexandre de Moraes sobre impedimento

Em outro ponto da entrevista, Lula revelou ter aconselhado o ministro Alexandre de Moraes a se declarar impedido em julgamentos relacionados ao Banco Master. A sugestão se deu em virtude da contratação do escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci, pelo banqueiro Daniel Vorcaro, por R$ 129 milhões. Lula argumentou que, mesmo que a situação seja legal, as circunstâncias podem ser vistas como imorais pela sociedade, especialmente em um ano eleitoral.

“O companheiro Alexandre de Moraes sabe que prejudica a imagem”, disse Lula, acrescentando: “Você pode ter uma coisa que é legal, mas, nas circunstâncias que acontecem, o povo trata como uma coisa imoral. E num ano político, em que as pessoas vão dar muito destaque para isso”. O presidente sugeriu a Moraes que preservasse sua biografia, construída com o julgamento do 8 de Janeiro, e que considerasse o conselho: “não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora sua biografia”.

Lula completou: “Eu disse: ‘diga que sua mulher está advogando, eu só prometo que aqui na Suprema Corte ficarei impedido de votar, qualquer coisa, alguma coisa que passe para a sociedade uma firmeza’ que ele tem”.

Autonomia da Polícia Federal sob o governo Lula

O presidente Lula também destacou a autonomia e a liberdade que a Polícia Federal possui em seu governo para conduzir investigações. Ele informou que, desde o início de sua gestão, já foram deflagradas quase o dobro de operações em comparação com o mandato de Bolsonaro. Foram 10,2 mil operações, contra 6,5 mil durante todo o governo anterior.

“Porque agora é palavra de ordem, a Polícia Federal tem independência, e a gente não se mete na apuração”, declarou. Lula orientou os delegados: “Não mintam, não façam pirotecnia, porque quando vocês acusam alguém sem prova, vocês acabam com a vida da pessoa”.

Punição exemplar para os envolvidos

Por fim, Lula defendeu que todos os envolvidos no escândalo do Banco Master prestem depoimento. Ele ressaltou a importância de que qualquer delação premiada, como a do banqueiro Daniel Vorcaro, seja embasada em provas concretas. O presidente enfatizou que os responsáveis pela fraude devem ser punidos, independentemente de quem sejam, e que a “punição tem que ser exemplar”.

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