Lula quer fechar "bets": "Se depender de mim, a gente fecha as apostas online", diz presidente

Lula quer fechar “bets”: “Se depender de mim, a gente fecha as apostas online”, diz presidente

Resumo

Lula defende o fim das casas de apostas online e critica “jogatina desenfreada” no país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou forte descontentamento com a proliferação das apostas online, popularmente conhecidas como “bets”. Em entrevista recente, o mandatário afirmou que, se dependesse apenas dele, as plataformas em operação no Brasil seriam encerradas imediatamente.

A declaração surge em meio a discussões internas no governo sobre os impactos financeiros dessas apostas nas famílias brasileiras. Lula demonstra uma postura firme contra o que ele classifica como “jogatina desenfreada”, evidenciando uma preocupação que já se manifestava desde o início do processo de regulamentação da atividade.

Apesar da resistência do presidente, a regulamentação das casas de apostas online, iniciada em 2024, tem gerado expressiva arrecadação para os cofres públicos. Os recursos, oriundos de tributação e taxas, foram destinados a áreas cruciais como esporte, turismo, segurança pública, educação e saúde. Conforme informação divulgada pelo ICL Notícias, a União arrecadou R$ 9,95 bilhões apenas em 2025 com a taxação dessas plataformas.

Arrecadação bilionária em contraste com a posição presidencial

Lula admitiu que a continuidade das “bets” no país depende também do Congresso Nacional, onde, segundo ele, há deputados e senadores envolvidos na questão. “Não é possível a gente continuar com essa jogatina desenfreada nesse país”, declarou o presidente, enfatizando sua oposição à atividade.

A equipe econômica do governo, no entanto, tem sido um contraponto à visão presidencial, argumentando sobre os benefícios financeiros da regulamentação. A tributação sobre a receita bruta das empresas de apostas, que começou em 12% em 2024, subiu para 13% em 2025 e tem previsão de chegar a 15% em 2028. Além disso, apostadores passaram a ser taxados em 15% de imposto de renda sobre lucros anuais superiores a R$ 28,4 mil.

A taxa de licença de R$ 30 milhões a cada cinco anos também contribuiu significativamente para a arrecadação, totalizando quase R$ 10 bilhões no ano passado apenas com as plataformas regulamentadas. Lula, contudo, questiona a real necessidade das “bets”, lembrando que o futebol, por exemplo, prosperou por um século sem elas.

Histórico de críticas e preocupações com o vício em apostas

O presidente já havia manifestado críticas severas às apostas online em ocasiões anteriores, chegando a classificar o vício como uma “epidemia” e uma “dependência patológica” que deveria ser tratada como doença. Ele já havia sinalizado anteriormente que, caso a regulamentação não fosse suficiente para conter o endividamento, não hesitaria em “acabar” com as apostas online.

Outro ponto de preocupação levantado foi o possível uso de recursos do Bolsa Família para apostas. Um relatório do Banco Central em 2024 apontou gastos de R$ 3 bilhões em jogos online por beneficiários, o que levou o governo a buscar mecanismos para coibir essa prática.

Governos anteriores e a origem da regulamentação

Lula também atribuiu parte da responsabilidade pela atual situação a governos anteriores. Ele citou o ex-presidente Michel Temer (MDB), que sancionou em 2018 uma lei que autorizou as plataformas de apostas no país, e o governo de Jair Bolsonaro (PL), criticado por suposta omissão na regulamentação, permitindo que as empresas operassem sem impostos e sem normas claras de proteção ao consumidor.

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