Governadora do DF afasta 12 diretores do BRB após tentativa frustrada de compra do Banco Master e prejuízo bilionário
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), determinou o afastamento de 12 diretores do Banco de Brasília (BRB). A decisão está ligada à gestão anterior do banco, que é investigada por uma tentativa frustrada de comprar o Banco Master.
A medida ocorre em um momento de avanço nas apurações sobre possíveis irregularidades nas operações conduzidas pela antiga cúpula do banco estatal. O objetivo é garantir a integridade do processo investigativo.
Segundo apurações da GloboNews e do site Metrópoles, a lista de nomes dos diretores e superintendentes afastados não foi divulgada. A Gazeta do Povo buscou contato com o BRB e o governo do Distrito Federal, mas ainda aguarda retorno sobre o caso.
Afastamentos para preservar investigações
Celina Leão afirmou que os afastamentos ocorreram “sem julgamento antecipado” e com o propósito de “preservar o trabalho das investigações”. Parte dos diretores já foi comunicada da decisão. Por serem servidores concursados, eles permanecerão no banco, mas fora das funções de comando.
O BRB deverá comunicar formalmente seus acionistas sobre as mudanças na diretoria nos próximos dias, visto que é uma instituição com ações negociadas na bolsa de valores. Até o momento, o banco ainda não publicou o fato relevante necessário sobre as alterações.
Auditoria externa e encaminhamento à Polícia Federal
Na última terça-feira (7), o BRB informou ao mercado financeiro que concluiu a auditoria externa sobre os negócios envolvendo o Banco Master. Os resultados foram encaminhados à Polícia Federal, no âmbito das investigações da operação Compliance Zero.
O documento, elaborado pelo escritório Machado Meyer Advogados com apoio técnico da consultoria Kroll, detalha a investigação forense. O banco declarou que o material foi enviado à Polícia Federal para que, “caso identifique materialidade, adote eventuais medidas cabíveis”.
Suspeitas de gestão fraudulenta e prejuízo milionário
As apurações tiveram início após o envio de um relatório preliminar à Polícia Federal em fevereiro, que apontava “achados relevantes” em documentos internos. A partir disso, foi instaurado um inquérito para investigar suspeitas de gestão fraudulenta por parte de diretores da administração anterior.
Segundo a Polícia Federal, o BRB teria negociado a compra do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, ignorando alertas de servidores internos. Além disso, há suspeitas sobre a aquisição de cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas.
Informações preliminares indicam um prejuízo potencial de R$ 5 bilhões ao BRB. Na semana passada, a instituição adiou a divulgação dos resultados financeiros do ano passado, que poderiam indicar a real situação financeira dos negócios com o Master.