Trégua de Páscoa: Rússia e Ucrânia Anunciam Cessar-Fogo Humanitário em Meio a Trocas de Prisioneiros
A Rússia e a Ucrânia iniciaram neste sábado um cessar-fogo temporário em comemoração à Páscoa ortodoxa. A trégua, que começou às 16h de sábado (horário local) e se estenderá até a meia-noite de domingo, representa o quarto acordo de cessar-fogo desde o início do conflito em fevereiro de 2022.
A iniciativa, que já havia sido defendida pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em semanas anteriores, foi anunciada formalmente pelo líder russo Vladimir Putin. A Rússia declarou que cessará as hostilidades em todas as frentes, mas ressaltou que suas tropas estarão prontas para responder a qualquer provocação.
Em resposta, Zelensky afirmou que a Ucrânia responderá de forma simétrica, aderindo ao cessar-fogo se não houver ataques russos. A notícia sobre a trégua e a troca de prisioneiros foi divulgada conforme informações do Ministério da Defesa da Rússia.
Cessar-Fogo para Celebração Religiosa
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, vinha defendendo a necessidade de uma trégua durante as celebrações pascais nas últimas semanas. A iniciativa, contudo, só foi atendida pela Rússia dias antes da data religiosa.
Vladimir Putin, presidente da Rússia, anunciou o cessar-fogo com validade das 16h de 11 de abril até o fim de 12 de abril. A ordem foi dada ao comando militar russo para interromper as hostilidades, com a ressalva de que as tropas estariam preparadas para neutralizar quaisquer ações agressivas do lado ucraniano.
“Partimos do princípio de que a Ucrânia seguirá o exemplo da Federação Russa”, declarou a nota oficial russa, expressando a expectativa de reciprocidade.
Ucrânia Confirma Adesão e Resposta Simétrica
Horas após o anúncio russo, o presidente Zelensky confirmou que Kiev responderia a Moscou “de maneira simétrica”. Ele assegurou que a Ucrânia aderirá ao cessar-fogo e que a ausência de ataques russos resultaria na mesma postura por parte da Ucrânia.
Zelensky discutiu os detalhes da resposta ucraniana a potenciais violações com o comandante-chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi. A informação sobre a natureza simétrica das represálias foi comunicada à parte russa.
O líder ucraniano também manifestou a disposição de Kiev em prolongar a pausa nos combates, considerando que um cessar-fogo pela Páscoa poderia ser o “início de um movimento real rumo à paz”.
Kremlin Enfatiza Caráter Humanitário da Trégua
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, comentou que a Rússia não busca apenas um cessar-fogo, mas “uma paz duradoura e sustentável”. Ele reiterou que o anúncio do cessar-fogo se restringe estritamente à Páscoa ortodoxa.
Peskov destacou que a trégua tem um “caráter humanitário”, visto que a Páscoa é uma data sagrada tanto para russos quanto para ucranianos. O Kremlin, no entanto, não indicou planos para uma prorrogação além do período religioso.
Em ocasiões anteriores, Putin já havia decretado tréguas unilaterais, como a de 30 horas na Páscoa do ano passado. Diferentemente, Zelensky tem defendido tréguas mais longas, propostas que já contaram com apoio internacional.
Troca de Prisioneiros e Corpos em Meio ao Conflito
Em paralelo ao anúncio da trégua, Rússia e Ucrânia realizaram uma significativa troca de prisioneiros de guerra. O Ministério da Defesa russo informou a liberação de 350 prisioneiros, sendo 175 de cada lado, com mediação dos Emirados Árabes Unidos.
Os combatentes russos liberados estão recebendo assistência médica e psicológica em Belarus. A Ucrânia também devolveu sete civis da região fronteiriça russa de Kursk. Moscou agradeceu aos Emirados Árabes Unidos pelos esforços humanitários.
Na sexta-feira, ambos os lados já haviam informado sobre a troca de corpos de combatentes: 41 russos foram devolvidos em troca de cerca de mil soldados ucranianos mortos em combate. Essa troca segue um acordo estabelecido em Istambul no ano passado.