Santa Catarina Conservadora: Por Que a Esquerda Patina e Bolsonaro Domina o Estado Mais à Direita do Brasil?

Santa Catarina Conservadora: Por Que a Esquerda Patina e Bolsonaro Domina o Estado Mais à Direita do Brasil?

Resumo

A Direita Consolida Hegemonia em Santa Catarina: Um Cenário Político Desafiador para a Esquerda

Santa Catarina tem sido, nas últimas décadas, um fortaleza da direita e do centro na política brasileira. Desde a redemocratização, nenhum partido de esquerda conseguiu vencer a disputa pelo governo estadual, um fato que explica as dificuldades persistentes desse campo ideológico em se firmar como uma alternativa de poder real no estado mais conservador do país.

Essa hegemonia é evidenciada por análises de especialistas, que apontam a consolidação dos partidos de direita e centro no estado desde os anos 1980. Mesmo em coalizões que incluíam legendas progressistas, a liderança dos governos sempre permaneceu fora do espectro ideológico alinhado à esquerda, reforçando um padrão histórico.

A força da direita em Santa Catarina é comprovada por dados eleitorais recentes. Em 2018, a direita elegeu 56,3% dos deputados federais e 47,5% dos estaduais. Em 2022, esse predomínio se ampliou, com 65% dos deputados estaduais e 62,5% dos federais eleitos por partidos de direita. Essas informações foram divulgadas por fontes como a UFSC e a Udesc, que acompanham a dinâmica política catarinense.

A Onda Bolsonaro e a Nova Direita Ideológica em SC

O ano de 2018 marcou um ponto de inflexão na política catarinense, com a “onda Bolsonaro” impulsionando a eleição de Carlos Moisés (PSL) ao governo. O desempenho de Jair Bolsonaro em Santa Catarina foi o mais expressivo do país, com mais de 65% dos votos no primeiro turno em 2018 e superando 62% em 2022. Essa forte conexão com o eleitorado demonstra a ressonância de suas pautas no estado.

A direita catarinense tem passado por uma transformação, tornando-se mais ideológica e menos oligárquica. A eleição de 2022 viu o declínio de famílias políticas tradicionais, como Bornhausen e Amin, enquanto emergiram novos representantes fortemente ancorados em pautas morais, como religião e gênero, além da agenda de segurança pública.

Essa mudança é analisada por especialistas como Julian Borba, da UFSC, que aponta para a radicalização e posterior estabilização da fragmentação partidária. Daniel Pinheiro, da Udesc, complementa que a construção histórica de Santa Catarina, ligada ao centro e à direita, e seus valores sociais e econômicos mais conservadores, explicam as dificuldades da esquerda.

Pauta de Costumes e Antipetismo Estrutural: Barreiras para a Esquerda

A dificuldade da esquerda em Santa Catarina, segundo a consultora política Andreia Maidana, está diretamente ligada à “pauta de costumes”. O ambiente de polarização nacional, com o embate entre Bolsonaro e Lula, reforça uma escolha ideológica do eleitorado catarinense, que possui uma afinidade histórica com o tradicionalismo e o conservadorismo, valores culturais herdados das correntes imigratórias europeias.

O forte “antipetismo estrutural”, intensificado após a queda de Dilma Rousseff, impacta negativamente os partidos de esquerda no estado. Mesmo com lideranças históricas, o PT não conseguiu consolidar uma base eleitoral sólida e expressiva, enfrentando fragmentação interna e a ausência de uma liderança hegemônica estadual.

Para Maidana, romper essa barreira exige uma inflexão estratégica na comunicação da esquerda, priorizando temas de impacto direto na vida cotidiana, como saúde, educação e segurança. O objetivo é que o eleitor possa reavaliar seu voto quando políticas públicas afetam positivamente sua vida, buscando uma aproximação com o eleitorado religioso e conservador.

Perspectivas para 2026: Décio Lima e a Busca por Relevância

Na disputa eleitoral de 2026, a esquerda em Santa Catarina aposta em Décio Lima (PT) como nome para buscar maior relevância. Uma pesquisa recente do instituto AtlasIntel indica que Jorginho Mello (PL) lidera as intenções de voto para governador, seguido por João Rodrigues (PSD). Décio Lima aparece em um dos cenários testados com 19,6% das intenções.

A estratégia para a esquerda, segundo Andreia Maidana, exige pragmatismo. Embora manter uma candidatura própria demonstre resiliência, compor frentes e alianças pode ser o caminho mais viável em um estado predominantemente conservador. O foco em temas sociais e a comunicação direcionada podem ser chaves para furar a bolha e construir pontes com o eleitorado.

A pesquisa AtlasIntel, realizada entre 25 e 30 de março com 1.280 pessoas, aponta uma margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no TSE é SC-05257/2026.

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